Terça-feira, 28 de Janeiro de 2020

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Capa – Caderno 1 O número de casos de sarampo cresceu 400% na Europa em 2017

Sarampo, com 472 casos, é a que mais preocupa. (Foto: Reprodução)

A Europa viu o número de casos de sarampo aumentarem 400% em 2017, em comparação com o ano anterior, divulgou a OMS (Organização Mundial da Saúde), classificando a situação como uma “tragédia” na saúde pública. Após uma baixa recorde em 2016, com 5.273 casos, o índice saltou para mais de 20 mil. Destes, 35 morreram.

Quinze países da Europa estão incluídos no surto. A Romênia lidera, com 5.562 ocorrências — um número que supera o total de casos em todo o continente no ano de 2016. Em seguida, vem a Itália, com 5.006 pessoas afetadas. A Ucrânia ocupa o terceiro lugar desse ranking, com 4.767 casos.

Movimento antivacina

Segundo especialistas, parte do problema é causado por pessoas que evitam a vacinação, formando o chamado movimento antivacina.

A médica húngara Zsuzsanna Jakab, vinculada à OMS, destacou que esse movimento prejudica muito aqueles cidadãos que não podem se vacinar por conta de alguma doença imunossupressora ou de já terem sido transplantados, por exemplo. Quanto menos indivíduos vacinados, menos a população como um todo estará protegida.

“Toda nova pessoa afetada pelo sarampo na Europa nos lembra que crianças e adultos não vacinados, independentemente de onde vivem, correm o risco de contrair a doença e espalhá-la para outros que não podem se vacinar (por conta de alguma condição de saúde)”, disse ela. “Este recuo não pode nos distanciar do nosso compromisso de ser a geração que vai libertar nossos filhos dessas doenças de uma vez por todas.”

De acordo com a OMS, houve diminuição da cobertura geral de imunização de rotina ao longo do ano passado no continente europeu. Foi registrada também uma cobertura consistentemente baixa entre alguns grupos marginalizados da sociedade, e interrupções no fornecimento de vacinas ou sistemas de vigilância de doenças.

Problema continua

Segundo a rede britânica BBC, o problema continua este ano: até final de janeiro de 2018, havia 51 casos confirmados em West Midlands, região no Centro da Inglaterra que inclui as cidades de Birmingham, Wolverhampton e Coventry.

O sarampo é uma doença viral altamente infecciosa que pode ser mortal. Os sintomas aparecem apenas de 10 a 14 dias após a exposição. Entre os principais, estão tosse, coriza, olhos inflamados, dor de garganta, febre e erupção cutânea com manchas vermelhas.

Não há tratamento para se livrar de uma infecção de sarampo estabelecida, mas antitérmicos vendidos sem prescrição médica ou vitamina A podem aliviar os sintomas. A doença é facilmente prevenida com vacina, que tem eficácia de 97%.

Imunização no Brasil

A presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Isabella Ballalai, ressalta que a preocupação da OMS vai além da população do continente europeu onde houve esse aumento brutal. Trata-se de uma questão de saúde mundial:

“Incluindo Brasil e outros países da América Latina, única região onde o sarampo foi eliminado. O aumento de casos em países muito visitados e onde há muita circulação de pessoas coloca em risco a erradicação da doença em todo o planeta, e isso é pior ainda.”

Isabella lembra que a atenção para o aumento de casos de sarampo ligados à falta de vacinação não é nova. Em 1998, um artigo polêmico causou forte impacto no Reino Unido. Estudo do médico Andrew Wakefield publicado no “Lancet” relacionava a vacina tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba) ao autismo. O texto foi considerado um dos grandes motivos da não adesão à vacinação em boa parte dos países da Europa.

“Hoje, mesmo sabendo que esse artigo é fraudulento, continuamos com sequelas numa população europeia que tem medo da vacina”,  pontua a médica. “A única forma de o Brasil e as Américas manterem o status de “sarampo erradicado” é a manutenção das altas taxas de cobertura vacinal em crianças e adultos.”

No Brasil, a política de imunização diz que as crianças devem tomar duas doses da tríplice viral. A primeira dose é com 1 ano de idade, e a segunda, entre 4 e 6 anos. Outra opção é a vacina tetra viral (que inclui o combate à varicela).

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