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Notícias O pai do menino Bernardo foi o primeiro dos quatro acusados a depor no julgamento em Três Passos

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Conforme o Ministério Público, o médico Leandro Boldrini foi o mentor do crime. (Foto: Divulgação/TJ-RS)

Nessa quarta-feira, terceiro dia de julgamento do processo sobre o assassinato do menino Bernardo, o médico Leandro Boldrini – pai da vítima – foi o primeiro dos quatro réus a ser interrogado no Fórum da cidade gaúcha de Três Passos. Ele é acusado de homicídio quadruplamente qualificado (motivo torpe, motivo fútil, emprego de veneno e dissimulação), ocultação de cadáver e falsidade ideológica.

Leandro falou o tempo todo voltado para os jurados e disse que se arrepende de ter sido um pai ausente, por conta das exigências do exercício profissional. Disse, ainda, que queria ver o filho se acertar com a madrasta Graciele (apontada como principal autora do crime, cometido em abril 2014).

“Quando me tirarem essas algemas vou em Santa Maria rezar e me ajoelhar aonde está sepultado o meu filho”, declarou, referindo-se à hipótese de ser absolvido pelos jurados. “A minha vida está um livro com duas páginas em branco. Não consegui iniciar e nem terminar o luto. Estou soterrado naquela cadeia”, acrescentou, mencionando também o desejo de abraçar a filha.

Em seguida, atribuiu a autoria do homicídio do garoto à segunda mulher (a primeira se suicidou em 2010) e à amiga dela. “E onde eu me encaixo nisso? Em lugar nenhum”, disse. “Foi a Graciele e a foi a Edelvânia.”.

Acusação

Segundo as investigações da Polícia Civil e a denúncia do Ministério Público, o médico foi o mentor intelectual do crime e incentivador da atuação de Graciele em todas as etapas, inclusive no que diz respeito à arregimentação dos colaboradores Edelvânia e Evandro Wirganovicz.

Ele teria bancado as despesas e recompensas associadas ao crime, além de ter facilitado o acesso das duas mulheres ao sedativo Midazolan, utilizado para matar o menino. Conforme os promotores de Justiça, Leandro e Graciele não queriam partilhar com Bernardo a herança deixada por Odilaine (primeira mulher do médico e mãe de Bernardo) e o garoto, de 11 anos, representava “um estorvo” para a nova unidade familiar, formada pelo médico, a madrasta e a filha do casal.

Desaparecimento

Leandro declarou que, no dia em que o menino sumiu (4 de abril de 2014), a família havia almoçado junta e o clima era muito bom. “Pensei que estavam se acertando depois da audiência judicial [em que ficara acertada a permanência do garoto com o pai e a madrasta].”

Durante o desaparecimento de Bernardo, Graciele teria continuado a agir normalmente. “Ela disse que estava dando banho na nossa filha e que o Bernardo entrou no quarto, pegou as roupas e disse que ia para o [amigo] Lucas. Em nenhum momento desconfiei da Keli [apelido de Graciele].”

“Na medida em que os dias iam passando, ia apertando o coração”, prosseguiu, ainda sobre o sumiço de Bernardo – cujo corpo seria encontrado dez dias depois. No domingo seguinte, a delegada Cristiane Moura disse que a Polícia havia descartado as outras duas linhas de investigação (fuga e sequestro) e que acreditava em homicídio. “Você se apavora, mas não acredita”, declarou o réu.

Ele disse, ainda, que soube da morte de Bernardo apenas no dia 14 de abril de 2014, pela Polícia Civil. “Fui algemado sem saber o motivo e a delegada me pedia para dizer onde estava o corpo. Quando encontrei Graciele, ela chorava e admitiu que tinha cometeu o crime. Precisei ser segurado”, finalizou. Nesta quinta-feira, o julgamento em Três Passos chega ao seu quarto dia, com os depoimentos outros três réus.

(Marcello Campos)

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