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Brasil O Palácio do Planalto admitiu que a situação do ministro da Secretaria-Geral, Gustavo Bebianno, é insustentável

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Bebianno afirmou a interlocutores que a saída do governo já está sacramentada. (Foto: Reprodução de TV)

Integrantes do Palácio do Planalto admitiram na noite de sexta-feira (15) que a situação de Gustavo Bebianno (ministro da Secretaria-Geral) ficou insustentável. Segundo eles, o anúncio da saída do ministro deve ser feito nesta segunda-feira (18). As informações são do jornalista Gerson Camarotti.

O destino de Bebianno foi selado depois de uma tensa conversa no gabinete do presidente Jair Bolsonaro, que ocorreu no fim da tarde de sexta-feira. Alguns interlocutores do presidente, contudo, ainda defendem que ele avalie a situação com calma, durante o fim de semana.

A conversa entre Bebianno e o presidente foi tensa e a situação do ministro ficou difícil. Em um primeiro momento, também chegaram a participar do encontro o vice-presidente Hamilton Mourão e os ministros Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e Augusto Heleno (Segurança Institucional). Depois, Bolsonaro e Bebianno ficaram sozinhos para conversar.

Na noite de sexta-feira, Bebianno afirmou a interlocutores que a saída do governo já está sacramentada. Ele mesmo já tinha colocado como condição para deixar o governo ter uma conversa franca com o presidente, o que, nas palavras dele, seria uma “saída honrosa”.

Crise

Bebianno tornou-se o centro de uma crise instalada no Palácio do Planalto após o jornal Folha de S.Paulo revelar um esquema candidaturas laranjas do PSL, presidido pelo ministro entre janeiro e outubro de 2018. Após reunião com o presidente, Bebianno avisou a aliados que deixará o cargo.

Bebianno chegou ao hotel onde mora em Brasília e, ao ser abordado, disse que não daria declarações sobre situação. Um assessor do governo que participou das conversas relatou que o clima azedou horas depois de ter ficado definido que Bebianno teria sobrevida no cargo.

A gota-d’água, segundo integrantes do Planalto, foi o vazamento de diálogos privados, exclusivos da Presidência, entre Bolsonaro e Bebianno ao site O Antagonista e à revista Veja.

Nesta semana, o presidente chegou a endossar os ataques feitos pelo seu filho, o vereador carioca Carlos Bolsonaro (PSC), em que Bebianno foi chamado de mentiroso nas redes sociais por declarar ter conversado por três vezes com Bolsonaro em meio à crise das candidaturas laranjas.

Outra declaração que comprometeu a relação entre ambos foi a entrevista à TV Record em que Bolsonaro afirmou que, se for responsabilizado pelo caso dos laranjas do PSL, Bebianno precisará retornar às suas “origens”, ou seja, deixar o governo. As negociações para evitar uma queda de Bebianno na sexta-feira começaram logo cedo no Palácio da Alvorada, onde Bolsonaro ainda se recupera de uma cirurgia.

Foram à residência oficial os ministros Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e Carlos Alberto dos Santos Cruz (Secretaria de Governo), junto com a deputada federal Joice Hasselman (PSL-SP). Os três saíram dali com uma proposta em mãos: propor a Bebianno um acordo para que ele seguisse no cargo.

O grupo disse a Bolsonaro que a demissão de um de seus auxiliares dessa forma – em crise exposta nas redes sociais – fragilizaria a imagem sobre a confiabilidade do presidente e do governo perante o Congresso e a opinião pública. Foi ponderado que isso poderia colocar em risco uma das prioridades de sua gestão: a aprovação da reforma da Previdência, que será apresentada na próxima semana.

 

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