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Mundo O papa emérito Bento XVI atribui abusos na Igreja à revolução sexual dos anos 60

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Os papas Bento XVI e Francisco. (Foto: Reprodução)

Os escândalos de pedofilia do clero são resultado da revolução sexual dos anos 1960, de grupos abertamente homossexuais em alguns seminários e do colapso da fé no Ocidente, afirma o papa emérito Bento XVI em uma análise publicada na quinta-feira (11).

Em longo texto veiculado na Klerusblatt, publicação mensal bávara destinado ao clero, o papa saiu de seu silêncio, no momento em que a Igreja se encontra na berlinda pela revelação de escândalos nos Estados Unidos, no Chile, na Austrália e na Europa.

Bento XVI, que vive recluso em um pequeno monastério da Cidade do Vaticano desde que renunciou ao cargo, há seis anos, afirma que a Revolução de 1968 defendeu uma “liberdade sexual” sem “normas”, que fazia da pedofilia algo “permitido e apropriado”.

“Sempre me perguntei como os jovens podiam, nesta situação, ir para o sacerdócio”, declarou, ao se referir ao “amplo colapso” da vocação sacerdotal ocorrida nos anos seguintes.

Baseando-se em exemplos de sua Alemanha natal, ele conta a maneira como “o radicalismo sem precedentes dos anos 1960″ afetou a formação dos futuros padres nos seminários”.

O texto afirma ainda que uma cultura abertamente gay em alguns seminários católicos fez com que eles falhassem em preparar os padres adequadamente para a função.

Alguns teólogos reagiram nas redes, considerando “incômoda” a análise do papa emérito de 91 anos, e críticos o acusam de tentar isentar a Igreja de culpa nos escândalos.

Bento XVI, porém, escreveu também que o sistema legal da Igreja superprotegeu alguns acusados, citando o que ele chamou de garantias judiciais que “foram estendidas a tal ponto que impossibilitaram as condenações”.

No texto, o papa emérito constata com amargura uma “sociedade ocidental, na qual Deus desapareceu do espaço público” e na qual a Igreja é percebida como “uma espécie de aparelho político”.

“Por que a pedofilia tomou essas proporções? No fim, isso se explica pela ausência de Deus”, convertido em uma “preocupação de ordem privada de uma minoria” de fiéis, continuou.

Na segunda metade dos anos 1980, o assunto da pedofilia voltou à tona para a Igreja, especialmente nos Estados Unidos, e levou progressivamente ao reexame da lei penal do direito canônico e à aplicação de condenações ao clero após processos.

Suas reflexões se inscrevem no âmbito dos efeitos da cúpula eclesiástica organizada em fevereiro pelo papa Francisco sobre os abusos sexuais de menores por parte do clero.

Cúpula

Em fevereiro, o papa Francisco, ao término de uma reunião histórica no Vaticano sobre a luta contra a pedofilia, comparou a “praga” dos abusos sexuais de menores de idade com as práticas religiosas do passado, de oferecer seres humanos em sacrifício. A frase foi dita em seu discurso de encerramento.

“Me traz à mente a cruel prática religiosa, difundida no passado em algumas culturas, de oferecer seres humanos —frequentemente crianças— como sacrifício nos rituais pagãos”, disse o papa, depois de reiterar que a Igreja se compromete a combater este fenômeno com “a máxima seriedade”.

Francisco pediu uma “batalha total” contra um crime que ele chamou de abominável e que deve ser “apagado da face da terra”. Ao fim da missa na sala Regia do Palácio Apostólico do Vaticano, ele prometeu que as diretrizes usadas nas conferências nacionais de bispos para prevenir e punir abusadores será revisada e fortalecida.

Mas os defensores das vítimas expressaram desapontamento, dizendo que Francisco apenas repetiu velhas promessas e ofereceu poucas propostas concretas.

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