Quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 21 de abril de 2018
O PR (Partido da República) tenta reconduzir Deusdina dos Reis Pereira à vice-presidência de Fundos de Governo e Loterias da Caixa Econômica Federal. As informações são do blog do jornalista Gerson Camarotti.
Deusdina foi afastada do cargo pelo governo, em janeiro, juntamente com outros três diretores do banco depois de recomendação do MPF (Ministério Público Federal) do Distrito Federal e do próprio Banco Central.
As recomendações tinham como base suspeitas de corrupção na Caixa investigadas pelo MPF e pela Polícia Federal, nas Operações Greenfield e Sépsis, que investigam, entre outros crimes, desvios no Fundo de Investimento do FGTS (FI-FGTS).
Deusdina dos Reis é suspeita de ter vinculado a aprovação de um empréstimo de R$ 200 milhões para a Companhia Energética de Minas Gerais à nomeação dela própria para uma vaga no Conselho de Administração da estatal mineira.
Em fevereiro, ela foi absolvida por 3 votos a 2 pela Comissão de Ética da Presidência da República.
É justamente com esse argumento que o partido pretende evitar que o nome de Deusdina tenha que passar novamente pelo Conselho de Administração da Caixa, como é determinado pelo novo estatuto do banco, aprovado logo após os afastamentos.
O argumento seria de que Deusdina não representaria uma nova indicação, mas apenas seria reconduzida ao cargo.
O presidente do partido, Valdemar Costa Neto, teve uma audiência com o presidente Michel Temer na última quarta-feira (18), no Palácio do Planalto. O encontro constava da agenda do presidente.
O assunto foi tratado nesse encontro, mas não houve nenhum encaminhamento por parte do governo.
Afastamento
Outros três vice-presidentes da Caixa também foram afastados na ocasião: Antônio Carlos Ferreira, Roberto Derziê de Sant’Anna e José Henrique Marques da Cruz, que foi restituído ao cargo.
De acordo com a Caixa, a restituição de Cruz ocorreu “em razão da constatação, em investigações interna e independente, de ausência de elementos suficientes para configuração de sua responsabilidade”.
Os quatro vices afastados foram indicados por partidos políticos como o PR, o PRB e o PMDB, e a decisão de afasta-los gerou descontentamento dentro da base aliada do governo federal.
A decisão só pôde ser tomada porque houve mudança no estatuto do banco público, adequando-o à nova Lei das Estatais. Com essa alteração, o Conselho da Caixa passou a ter a prerrogativa de nomear e de afastar vice-presidentes, algo antes restrito ao presidente da República.
A Caixa tem mais vice-presidentes do que seus concorrentes. Enquanto a instituição tem 12 vice-presidentes, o Banco do Brasil, também controlado pelo governo federal, tem nove. No caso dos bancos privados, o número também é menor. O Bradesco tem sete. O Itaú, cinco, mas com dois diretores-gerais abaixo da presidência.
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