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Colunistas O pragmatismo político

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O pragmatismo político teve seu tempo, provou-se extremamente nocivo, e agora deve acabar. (Foto: Nelson Jr./Asics/TSE)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

O esperado ano eleitoral de 2018 chegou e, até então, nenhum cenário político parece ser muito sustentável ou ter mais chances de se concretizar. Atualmente contamos com diversos nomes conhecidos da política figurando entre os candidatos à Presidência da República. Nomes como Ciro Gomes, Lula, Bolsonaro, Marina Silva e Alckmin ganham força para concorrer ao mais alto posto do Poder Executivo brasileiro. Lula, após a efetivação da sua condenação em segunda instância pelo TRF-4, em Porto Alegre, não deverá concorrer, em função da Lei da Ficha Limpa e da grande possibilidade de cumprir pena em cárcere privado. Em seu lugar despontam dois nomes do Partido dos Trabalhadores (PT): Dilma Rousseff e Fernando Haddad. Pois bem, qualquer que seja o cenário dentro da legenda, teremos rigorosamente o mesmo resultado final: inúmeros candidatos da velha política, bradando que o Brasil merece uma nova política e se autointitulando a solução dos problemas e o catalisador da mudança. Um pouco controverso, não é verdade?

Não é novidade que os “velhos lobos” tenham muita força nas eleições. Muitos eleitores apregoam que é necessário haver experiência política e bom trânsito no Congresso para poder governar um país de maneira apropriada. Infelizmente esse pensamento nos leva a um pragmatismo político bastante pernicioso, em que se vota nesse ou naquele candidato não pelas suas ideias, mas pela sua possibilidade, a priori, de ser eleito e, a posteriori, de ter um bom jogo político. Ora, não foi justamente pelo sujo jogo político que chegamos a essa situação calamitosa em que nos encontramos? Ademais, habitualmente, quando um candidato contrário ganha força, imediatamente a mentalidade pragmatista assume o controle e faz com que os cidadãos votantes busquem votar na opção que pode desbancar tal candidato, independentemente das propostas. É prova cabal dessa realidade o fato de Jair Bolsonaro perder força em uma corrida eleitoral sem Lula. Para que o ex-presidente não seja eleito, muitos aceitariam votar em Bolsonaro. O mesmo acontece com Ciro Gomes e Marina Silva, que ganham força em um cenário em que o militar da reserva concorra à Presidência da República.

Infelizmente enfrentamos essa dura realidade no Brasil. O pragmatismo político que ocorre no momento do voto é um dos grandes problemas do sistema democrático, pois abrimos mão dos valores que compartilhamos com determinados candidatos para não deixar outro ganhar a corrida eleitoral. Essa mentalidade pode ser resumida em “qualquer um é melhor que o candidato X, vou votar para ele não ganhar”, e é extremamente lamentável. Devemos urgentemente mudar a forma de enxergar a política e votar naqueles candidatos que representem de fato algo de importante para nós. O pragmatismo político teve seu tempo, provou-se extremamente nocivo, e agora deve acabar.

Felipe Morandi, empresário e associado do IEE

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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