Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 15 de julho de 2018
O pré-candidato do PDT ao Palácio do Planalto, Ciro Gomes, acertou com líderes dos partidos do chamado Centrão – que reúne DEM, PP, Solidariedade e PRB – que tentará ajustar, no prazo mais curto possível, propostas comuns, principalmente na área econômica, que viabilizem o apoio das legendas a sua candidatura.
No encontro, não houve definição de aliança, mas, de acordo com um dos participantes, as conversas “afunilaram mais” em torno do nome de Ciro.
O grupo, visto como fiel da balança na disputa ao Palácio do Planalto, busca fechar apoio a um dos candidatos antes das convenções, que começam no próximo dia 20. O presidenciável tucano, Geraldo Alckmin, também negocia com partidos do bloco.
A reunião durou cerca de três horas e ocorreu na casa do empresário Benjamin Steinbruch, em São Paulo. Filiado ao PP, o empresário já foi cotado para ser vice na chapa do pedetista.
Novos encontros estão previstos para esta semana. Um deles deve ser com representantes do PR, que já integrou o Centão, mas que, no momento negocia com o pré-candidato do PSL, Jair Bolsonaro. Temer já avisou aos aliados que não admite que eles apoiem Ciro Gomes que, recentemente, o chamou de “quadrilheiro” e “ladrão”. As ameaças, externadas pelo ministro-chefe da Secretaria de Governo, Carlos Marun, no entanto, não tiveram efeito.
As principais resistências ao apoio a Ciro continuam vindo da parte do DEM, na ala comandada pelo prefeito de Salvador (BA), ACM Neto, e do PRB, que tem à frente o ex-ministro Marcos Pereira e ainda mantém o domínio sobre o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.
Participaram da reunião em São Paulo, além de ACM Neto e Marcos Pereira, os presidentes do PP, Ciro Nogueira, e do Solidariedade, Paulinho da Força, e do PDT, Carlos Lupi, e também o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).
Na reunião, os líderes partidários foram unânimes em dizer que, se o governo se estressar, que leve os ministérios e os cargos. Outro participante do encontro afirmou que eles não estão preocupados com a ameaça do governo.
Outros temas que estavam em discussão eram as alianças regionais, a possibilidade de vice na chapa e uma articulação para a eleição da presidência da Câmara a partir de 2019.
O Centrão, que agora também é chamado de “Blocão”, compõe a terceira bancada da Câmara, com 49 deputados, de quatro partidos, todos da base do presidente Michel Temer. O PP é o maior partido do bloco e controla os ministérios da Saúde, Cidades e Agricultura – com orçamentos que, juntos, somam R$ 153,5 bilhões -, além de ter o comando da Caixa Econômica Federal.
Economia
Os pontos considerados mais importantes a serem “ajustados” entre o bloco e Ciro Gomes são em relação às reformas da Previdência e trabalhista, além das regras para a manutenção do equilíbrio fiscal. Acertaram, então, que Centrão e Ciro elaborarão as suas pautas econômicas e, se possível, ainda nesta semana, vão avaliar os pontos em comum e divergentes, para que cheguem a um discurso unificado, ou o mais próximo possível.
Ao citar as divergências, um dos integrantes do Blocão, lembrou que Ciro Gomes falou em revogar reforma trabalhista aprovada pelo governo de Temer e, no caso da previdenciária, há divergência na forma de como encarar e combater o seu déficit.
Juntos, os partidos do Blocão têm, no mínimo, 4 minutos e 12 segundos por dia no horário eleitoral de rádio e TV, que começa em 31 de agosto. O cálculo feito na reunião é que, se somar isso ao PDT e ao PSB, o tempo sobe para mais de seis minutos. Outra avaliação é que os partidos do Blocão têm palanques importantes, principalmente no Nordeste e no Sudeste Embora o maior partido do grupo seja o PP, a força do DEM pode ser medida pelo comando da Câmara, zona de influência que a sigla quer manter na próxima legislatura.
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