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Brasil O presidenciável do MDB, Henrique Meirelles, chamou Ciro Gomes e Marina Silva de “candidatos profissionais”

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Ex-ministro foi questionado pela imprensa sobre o assunto. (Foto: Agência Brasil)

Adotando um tom mais agressivo desde a semana passada, a campanha de Henrique Meirelles, pré-candidato do MDB à Presidência da República na eleição deste ano, decidiu partir para o “tudo ou nada”, na tentativa de atrair os holofotes na disputa e ganhar apoio.

Em um novo vídeo produzido a equipe do ex-ministro para veiculação nas redes sociais, os seus concorrentes Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede) são chamados de “candidatos profissionais”. Já o postulante ao Palácio do Planalto pelo PSL, Jair Bolsonaro, é apresentado como um adversário contraditório, que “diz uma coisa e faz outra”.

O único colega de disputa “poupado” é o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB). Na “ficha” apresentada sobre o político tucano consta apenas que ele é “mais uma vez, candidato à Presidência da República”. No início desta semana, o coordenador político da campanha de Alckmin, Marconi Perillo, sugeriu que Meirelles poderia ser vice em uma eventual chapa com o tucano.

Segundo analistas, Marina Silva entrou na mira dos ataques por ter crescido nas pesquisas de intenção de voto. No mais recente levantamento do Ibope para a CNI (Confederação Nacional da Indústria), divulgado na semana passada, a ex-ministra e Bolsonaro lideram as preferências, tecnicamente empatados em um cenário eleitoral sem a participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), condenado e preso pela Operação Lava-Jato.

“Fundadora do PT, a cada quatro anos aparece para disputar uma eleição”, diz o vídeo, em uma referência a Marina. Já para o pré-candidato do PDT foi reservada uma “alfinetada” ainda maior. “Ciro Gomes, um candidato profissional. Desde 1982 ele vem mudando de cargos, mudando de posições políticas e mudando de ideias”, afirma uma locução de voz feminina.

Capitão da reserva do Exército, Jair Bolsonaro entra na propaganda como alguém que se esconde atrás de frases-de-efeito. “Ele sustenta o seu discurso na crítica aos políticos, mas ele e a sua família vivem da política há 30 anos”, destaca o vídeo.

Elogios

Meirelles, por sua vez, é apresentado como “um homem que serve ao País” e que “já tirou o Brasil de duas crises econômicas, como presidente do Banco Central e ministro da Fazenda”. A ideia do MDB é mostrar que Meirelles não tem os vícios da velha política, apesar de sua experiência como ministro da Fazenda e presidente do Banco Central.

Estagnado em 1% das intenções de voto, o pré-candidato do MDB passará pelo crivo da convenção do partido no fim deste mês. “Meirelles é candidatérrimo”, afirmou o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, ao deixar uma reunião da Executiva Nacional do partido.

Ao ser questionado se a resistência de setores da legenda a Meirelles, como o das seções de Alagoas e Paraná, além da falta de alianças, não inviabilizariam a campanha do ex-chefe da equipe econômica, Padilha abriu um sorriso. “A candidatura dele só ajuda nos Estados. Conversas sobre alianças podem ficar para o segundo turno”, afirmou.

Na prática, a preocupação do Palácio do Planalto e da cúpula do MDB é hoje menos com resistências dos convencionais do partido a Meirelles e mais com a falta de protagonismo do candidato do governo. Até agora, o ex-ministro já visitou 14 dos 27 diretórios estaduais. Não conseguiu, porém, firmar composições, embora a agremiação ofereça como dote o maior tempo no horário eleitoral gratuito, que começa em agosto.

Nos bastidores, até mesmo integrantes da coalizão governista atribuem as dificuldades ao desgaste do presidente Michel Temer. A avaliação é a de que colar a imagem de qualquer concorrente a Temer, campeão no quesito impopularidade, equivale a um “suicídio político”.

O figurino que o MDB quer vestir em Meirelles é o de candidato de centro com bom trânsito em várias alas, além de “equilíbrio” e “pulso firme” para apagar incêndios. Não sem motivo a campanha é ancorada pelo mote #ChamaOMeirelles. O problema é que, ao contrário do que ele próprio havia previsto, a economia não reagiu nos últimos meses e o desemprego continua muito alto.

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