Segunda-feira, 07 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 27 de junho de 2018
Líder nas pesquisas de intenções de voto ao Planalto em cenários sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o deputado federal Jair Bolsonaro, pré-candidato pelo PSL, deve enfrentar problemas para formar palanques e obter apoios políticos nos cinco maiores colégios eleitorais do País. Mesmo em São Paulo, onde se cogita possibilidade de candidatura ao governo, o projeto ainda é embrionário e alvo de polêmicas dentro da própria sigla.
Em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia e Rio Grande do Sul, o partido até estuda eventuais alianças, mas a orientação da executiva nacional é optar pela neutralidade para não correr riscos de atrapalhar o projeto de Bolsonaro para o Planalto. A despeito de enfrentar entraves com aliados, o pré-candidato aparece bem posicionado nas pesquisas. No último levantamento do Datafolha ele surge com 19%; seguido de Marina Silva (Rede), em segundo lugar com até 15%; de Ciro Gomes (PDT), que oscila entre 10% e 11%; e Geraldo Alckmin (PSDB), que aparece com 7%.
A falta de estrutura do partido de Bolsonaro é o mais grave entrave para o PSL lançar candidaturas aos governos estaduais. Os diretórios locais do PSL começaram a se organizar apenas a partir de abril, com a entrada de Bolsonaro na sigla. Mas um dos maiores impeditivos para formação de palanques nesses Estados é que a a executiva nacional já avisou: cada candidato terá que arcar com os custos de sua campanha.
Oficialmente, integrantes do PSL afirmam que o nome de Bolsonaro está tão consolidado nacionalmente que não precisaria das campanhas locais para seguir crescendo na preferência do eleitor. Para eles, os eventuais candidatos aos governos nos Estados é que mais se beneficiariam com a força de Bolsonaro.
“Não vemos a necessidade do Jair (Bolsonaro) ter palanques em todos os Estados. O voto dele é muito orgânico”, diz o deputado federal Marcelo Álvaro Antônio, presidente do PSL mineiro.
Em Minas Gerais, segundo o parlamentar, o partido não terá candidato ao governo, mas aguarda as definições de outras siglas para decidir se apoiará algum nome. “A neutralidade pode ser o melhor caminho. Uma aliança mal feita pode até atrapalhar o Bolsonaro”, afirma o parlamentar.
No Rio, as conversas são de o PSL repetir uma possível aliança nacional com o PR e apoiar para o governo do Estado o deputado federal Marcelo Delaroli. Dirigentes do PR fluminense têm divulgado que a aliança com Bolsonaro já está “apalavrada”.
No Rio Grande do Sul, o PSL deve subir ao palanque com o deputado federal Luis Carlos Heinze, pré-candidato ao governo gaúcho pelo PP, junto com DEM e PROS. Já na Bahia, o PSL ensaia apoiar ao governo do Estado José Ronaldo (DEM), ex-deputado federal e estadual e prefeito de Feira de Santana por quatro vezes.
O único Estado em que o PSL não abriu mão de uma candidatura própria é São Paulo. Três nomes são cogitados para o cargo: a advogada Janaína Paschoal, conhecida pela sua atuação pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff; o empresário Luiz Phillippe de Orléans e Bragança, descendente da família real brasileira, e o advogado Frederico d’Ávila, diretor da Sociedade Rural Brasileira.
Entretanto, o PSL em São Paulo terá de ir à Justiça para garantir participação nas eleições deste ano. O diretório paulista foi suspenso pelo Tribunal Regional Eleitoral devido a uma falha de prestação de contas no ano de 2016. Advogados da legenda já preparam um pedido de liminar para o partido voltar a exercer as suas atividades.
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