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Brasil O presidenciável Jair Bolsonaro fez um “comício virtual” no Facebook enquanto cortava o cabelo

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Manifestação manteve o tom polêmico do parlamentar. (Foto: Reprodução/Facebook)

Entre uma tesourada e outra, o pré-candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) deu recados sobre economia, relação com o Congresso Nacional e direitos indígenas enquanto cortava o cabelo. A cena, uma espécie de “comício virtual”, foi exibida ao vivo na página do deputado federal no Facebook durante 35 minutos, nessa terça-feira.

Sentado, com o semblante sério, mãos entrelaçadas no meio das pernas e franja penteada para a frente, o polêmico parlamentar carioca de 63 anos anunciou visitas a cidades da Região Nordeste nos próximos dias e reclamou dos supostos ataques à sua campanha.

“Nós temos um objetivo pela frente, que é tentar mudar o destino do Brasil. Estão todos contra a gente! A esquerda de um lado e depois o tal do centrão do outro lado. Parece que eles não engolem a possibilidade de ter alguém diferente na política”, disse o presidenciável.

Enquanto o barbeiro (identificado pela assessoria do político apenas pelo nome, Antônio) acertava as pontas dos fios, o deputado emendou um discurso econômico, culpando planos de governos passados pela situação das contas do País.

“Daí falam que eu não entendo de economia. Não entendo mesmo! Que os entendidos de economia, os economistas, simplesmente afundaram o Brasil”, bradou. “O pessoal fala em liberalismo, né? Todo mundo quer liberar. Eu também quero”, prosseguiu.

“Isso é igual a um pré-candidato aí a presidente que deu umas alfinetadas em mim e falou: ‘Eu sou pelo livre mercado, eu sou pelo Estado mínimo’. Mas pegou R$ 1,2 bilhão no BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social]. Ele é favorável ao Estado mínimo para vocês, não para ele”.

Em março, o site BuzzFeed publicou que duas empresas de Flávio Rocha, pré-candidato a presidente pelo PRB, receberam R$ 1,39 bilhão em empréstimos da instituição federal de fomento durante os governos petistas de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) e Dilma Rousseff (2011-2016). Rocha disse à publicação que não houve irregularidade nem escândalo nas operações.

Em outro momento, o deputado citou de novo o provável adversário: “O próprio Flávio Rocha pegou algumas empresas tuas e botou lá no Paraguai. Nada contra, [está] certo. O custo Brasil é enorme. Aqui no Brasil é difícil você abrir um negócio”.

Críticas

Buscando se descolar dos demais pré-candidatos, Bolsonaro disse que, embora exista “muito deputado bom no PSDB”, o Brasil “não aguenta mais um ciclo de quatro anos PT/PSDB”, porque vai “continuar esse lixo todo”.

Ele sugeriu que os eleitores votem em deputados que pensem parecido com o presidente, já que mudanças dependem também do Congresso Nacional. “O cara que vai votar em mim, por exemplo, se votar num cara do PSOL para o Senado ou para a Câmara, você está jogando seu voto fora.” ​

Virando-se para a câmera do celular, que era segurado por um de seus assessores, o deputado falou: “E agora começam a usar a questão do Bolsa Família para me atacar. Você, senhora, você, senhor, não interessa onde esteja no Brasil, que recebe Bolsa Família, se eu chegar lá [à Presidência], vai continuar recebendo”.

Aos 19 minutos da transmissão, o deputado começou a se mostrar impaciente (“Quase pronto aí?”, perguntou ao profissional que cuidava de seu cabelo), mas respirou e aproveitou para rebater mais ataques.

Sobre suas declarações envolvendo gays: “Cada um vai ser feliz da maneira que bem entender, eu não tenho nada a ver com isso. […] Usam isso [afirmação de que ele é homofóbico] para nos dividir”.

“É igual a questão afrodescendente, né? Poxa, quem é que não tem, é, [abre os braços e sorri] amigos afrodescendentes. A minha esposa é filha do Paulo Negão, nós tamos ‘junto e misturado’, não tem diferença entre nós. Mas usam essa causa para nos dividir. Tudo é racismo, tudo é racismo no Brasil.”

Já no fim do corte, enquanto o barbeiro retirava a capa azul clara que protegia a camisa branca do parlamentar, Bolsonaro se lembrou de outro tema: “O índio não pode continuar sendo tratado como se fosse um animal de zoológico”.

Segundo ele, índio também quer energia elétrica, internet, jogar futebol. Quer dentista “para arrancar um dente dele que está doendo, quer um vermífugo, ele quer um soro antiofídico para que ele não morra ao ser picado por uma cobra”.

“O índio é um ser humano igualzinho a nós”, concluiu.

Segundo a assessoria do presidenciável, o vídeo foi gravado em Bento Ribeiro, a 23 km da casa dele, que fica em um condomínio na Barra da Tijuca. O político corta o cabelo no bairro do subúrbio carioca há muitos anos, informou sua equipe.

 

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