Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 20 de julho de 2017
O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que “tem muita gente no entorno do presidente falando demais”. Maia foi questionado sobre o mal-estar entre ele e Michel Temer por causa da movimentação do peemedebista para atrair parlamentares dissidentes do PSB para seu partido. O presidente da Câmara negou haver uma crise entre os dois.
Em menos de 24 horas, Temer e Maia se encontraram em três ocasiões. Ambos participaram de um jantar na terça-feira (18) e, na quarta-feira (19), se reuniram em audiência no Palácio do Planalto, quando o presidente recebeu o secretário da Saúde do Rio de Janeiro, Luiz Antônio de Souza Teixeira Júnior, e o médico Paulo Niemeyer Filho. Além disso, eles voltam a se encontrar nesta quinta-feira (20), quando Temer viaja para Mendoza e Maia assume o Planalto até sexta-feira (21).
“Tem muita gente no entorno do presidente falando demais e falando em off [reservadamente], o que é ruim. Então acaba gerando crise onde a crise não existe. Então, da minha parte, nunca teve problema”, disse Maia.
Segundo Maia, o próprio presidente já sabia que ele estava “há muito meses” articulando a filiação no DEM de parlamentares descontentes no PSB. “Esse problema dos deputados do PSB não foi um problema que foi criado aqui, eu já tenho conversado com os deputados do PSB há muitos meses, o presidente Michel Temer sabe disso”, comentou.
“O DEM é um partido que tem uma posição ideológica clara e a gente vai continuar a nossa posição. Aqueles que queiram construir com a gente esse projeto, que é um projeto pensando o futuro do Brasil, um projeto de centro-direita, nós estamos abertos, sem querer mexer em nenhum partido da base”, completou Maia.
Na terça-feira, fora da agenda oficial, Temer participou de um café no apartamento funcional da líder do PSB na Câmara, Tereza Cristina (MS), e mais quatro parlamentares para fazer o convite. No mesmo dia, o presidente participou de jantar na residência de Maia como demonstração de trégua. Na saída do jantar, o ministro Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo) tentou minimizar o mal-estar entre Temer e Maia.
O PSB deixou o governo em maio, após a divulgação da delação do empresário Joesley Batista, da JBS, que fundamentou a denúncia por corrupção passiva contra Temer. De 36 deputados, 16 discordaram da decisão da cúpula.
Misturador de voz
O GSI (Gabinete de Segurança Institucional) instalou um equipamento no gabinete presidencial, no terceiro andar do Palácio do Planalto, para evitar que Temer seja grampeado em sua sala de trabalho. O aparelho estimado em US$ 7 mil está em fase de teste. O “misturador de voz”, que pode ser ligado e desligado manualmente, provoca ruídos que impedem que seja entendido o que se fala em gravações sem autorização.
No fim do ano passado, o presidente foi gravado pelo então ministro da Cultura, Marcelo Calero, em seu gabinete, quando veio à tona o escândalo com o ex-ministro da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima, que exigia a liberação de um empreendimento em área tombada em Salvador. Temer foi grampeado também, no Palácio do Jaburu, pelo empresário Joesley Batista, do Grupo JBS. O aparelho poderá ser instalado em outros ambientes de autoridades do governo federal. Primeiramente, o equipamento foi testado no gabinete do ministro-chefe do GSI, general Sérgio Etchegoyen, durante um mês. (AE)
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