Sábado, 03 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 3 de maio de 2020
O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), governadores, lideranças partidárias e o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, lamentaram as agressões sofridas por jornalistas em manifestação em defesa do presidente Jair Bolsonaro neste domingo, em Brasília. Maia, por sua vez, se manifestou em suas redes sociais lembrando a agressão sofrida por enfermeiros ao encontrarem apoiadores de Bolsonaro em protesto no dia 1º de maio.
“Ontem [sexta, 1º] enfermeiras ameaçadas. Hoje jornalistas agredidos. Amanhã qualquer um que se opõe à visão de mundo deles. Cabe às instituições democráticas impor a ordem legal a esse grupo que confunde fazer política com tocar o terror”, escreveu o presidente da Câmara.
Apoiadores de Bolsonaro agrediram jornalistas durante manifestação a favor do presidente e contra Moro, Maia e o STF, em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília. Um repórter fotográfico do Estado de São Paulo foi derrubado duas vezes, foi chutado e levou murros na barriga. Um motorista do jornal levou uma rasteira.
Outras manifestações
Em nota, a Anistia Internacional alertou para a violência que jornalistas e profissionais da imprensa vêm sofrendo no Brasil e associou as intimidações ao presidente Jair Bolsonaro.
“No contexto do atual governo, ataques quase diários por parte do Presidente da República autorizam outras violências. Agressões a que profissionais da imprensa foram submetidos hoje em ato pró-Bolsonaro são inadmissíveis, sobretudo no Dia mundial da Liberdade de Imprensa”, afirmou a entidade.
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, divulgou nota em que criticou também a fala do presidente Jair Bolsonaro, em que declarou ter chegado “no limite”, ao dizer que não aceitaria mais “interferência” em seu governo.
“Os limites que existem são os da Constituição, e valem para todos, inclusive e sobretudo para o presidente. A única paciência que chegou ao fim, legitimamente e com razão, é a paciência da sociedade com um governante que negligencia suas obrigações, incita o caos e a desordem, em meio a uma crise sanitária e econômica”, diz a nota assinada por Santa Cruz.
O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro também se manifestou, através de uma rede social.
“Democracia, liberdades – inclusive de expressão e de imprensa – Estado de Direito, integridade e tolerância caminham juntos e não separados”, escreveu Moro.
O governador do Rio, Wilson Witzel, criticou a postura do presidente Jair Bolsonaro de voltar a incentivar aglomerações, apesar das recomendações das autoridades sanitárias.
“Passamos dias e dias apelando às pessoas para ficarem em casa e cuidarem da saúde e o presidente segue acenando para as pessoas em aglomerações. Eu não sei onde o presidente quer chegar com isso. Mas cada vida perdida será responsabilidade dele. É um péssimo exemplo”, escreveu o governador em uma rede social.
O governador de São Paulo, João Doria, obrou que a Justiça puna os agressores e afirmou que eles atacam a democracia e ferem o Estado de Direito.
“Milicianos ideológicos agridem covardemente profissionais de saúde num dia. Agridem profissionais de imprensa no outro. São criminosos que atacam a democracia e ferem o Estado de Direito. A Justiça precisa punir esses criminosos”, escreveu Doria em uma rede social.
O governador do Maranhão, Flávio Dino, afirmou que a vontade do presidente ter um governo “sem interferências” representa, na prática, uma ditadura.
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