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Brasil Reeleito presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia afirmou que não dará uma sala para o governo na Casa

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Maia negou o pedido dizendo que o Palácio do Planalto "tem de se organizar". (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Reeleito presidente da Câmara com 334 votos e sem a ajuda do Palácio do Planalto, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) deu o primeiro troco no governo dias após ser reconduzido ao cargo. Ele negou pedido da equipe do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que queria ter uma sala nas dependências da Casa para despachar diretamente com os deputados. A tentativa do Planalto de fazer um “puxadinho” na Câmara foi classificada por Maia como algo “bobo”.

Fortalecido pela expressiva votação, Maia demonstrou em entrevista ao jornal Estado de S. Paulo que inaugura uma nova fase. Ele negou que vai adotar o estilo “bateu, levou”, mas mandou vários recados. Disse que foi traído pelo PT e avisou o TCU (Tribunal de Contas da União) que nem tente legislar sobre a Lei Kandir. “Deixo eles sem orçamento até 2022”, afirmou.

Questionado se a saúde do presidente Jair Bolsonaro pode atrasar a reforma da Previdência, disse não acreditar. “Não acho, porque, pelo prazo do encaminhamento da reforma, pelas previsões, o presidente já não vai estar mais no hospital. Então, ele pode tomar a decisão final sobre qual texto ele vai querer encaminhar.”

Maia também falou sobre a articulação política. Segundo o deputado, ninguém vai votar nada de Previdência daqui a duas semanas. “Então, é importante que o Onyx (Lorenzoni, ministro da Casa Civil) vá organizando a base e, quando o presidente tiver condições, pelo menos dê o sinal de que aquilo que o Onyx organizou está ‘ok’ para ele. Claro que a presença do presidente ajuda, mas não atrapalha nem atrasa”, disse Maia.

O presidente da Câmara afirmou não acreditar que a política esteja sendo surpreendida pela forma como o presidente organizou o primeiro escalão do governo. “Não era isso que ele falava na campanha? Ele dizia que ia escolher quadros técnicos. Ninguém se surpreendeu com isso.”

Quanto à capacidade de aprovação da reforma, voltou a falar sobre organização. “Sempre me perguntavam se eu achava que ia ter voto ou não. Falei que eu não sei porque é uma forma nova de governar. Não quer dizer que não vai dar certo. Agora, tem de organizar. Até porque o presidente foi eleito, mas o Parlamento também foi eleito.”

Eleição para a Câmara

Maia comentou a votação para eleição da Câmara. “É. De alguma forma, o Onyx tentou influenciar. Criar uma candidatura que tivesse um alinhamento maior com a questão dos costumes, com ele. Não conseguiu. Mas nunca vi digital do presidente nesse processo. Só dos filhos dele (Bolsonaro) e publicamente”, disse o deputado.

Ainda conforme o deputado, quem escolhe o interlocutor é o governo, e é o Onyx. “Não quer dizer que eu não possa dialogar com o (Gustavo) Bebianno (ministro da Secretaria-Geral da Presidência), com quem tenho uma relação hoje de muita confiança. Eu não vou ficar trabalhando da presidência da Câmara para derrubar ninguém. Agora, (eu e Onyx) vamos ter de reconstruir nossa relação de amizade de muitos anos”, afirmou.

Segundo Maia, as comissões temáticas estarão instaladas em duas semanas. “Não tem como atrasar. A Comissão de Constituição e Justiça já está consolidada que é do PSL. A Comissão de Finanças e Tributação, o PSL e o MDB querem. Tudo o que tem conflito tem de ser negociado. Tem 25 comissões, não é possível que a gente não consiga atender a todo mundo.”

O ex-deputado Carlos Manato (PSL-ES), da equipe de Onyx, pediu ao senhor uma sala para despachar da Câmara. Maia considerou algo bobo. “O Executivo fica no Executivo e o Legislativo fica no Legislativo. Já disse a ele que não vou dar. Eu vou ligar agora para o Onyx e falar: ‘Põe uma sala aí para o Parlamento que a gente quer ir comandar daí de dentro, discutindo com vocês suas decisões’. É uma coisa boba, não faz sentido isso.”

Lei Kandir

A Lei Kandir é um assunto de interesse dos Estados e o Tribunal de Contas da União pode dizer que o governo não precisa mais ressarcir os Estados. Maia firma que se o TCU legislar, vai entrar em guerra com o Congresso.

“Vamos acabar com o poder do TCU, se eles fizerem uma lambança dessas. Isso não será aceito de forma alguma pelo Legislativo. Eles vão levar um troco grande. A gente tira o orçamento deles. Vão ficar sem orçamento até 2020. Vai ser coisa pesada, não tem brincadeira com esse negócio, não”, disse o deputado.

Ainda conforme Maia, o pacote do ministro Sérgio Moro não será necessariamente o termômetro para as votações de interesse do governo na Câmara. “O próprio Moro já me disse que sabe que a Previdência é prioridade. O dele vai andar, e vamos votar a Previdência antes. O pacote anticrime do Moro não é econômico e não dá para testar com ele”, concluiu.

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