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Brasil A Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão na casa do presidente do BNDES

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O presidente do Banco admite que a linha de crédito com essa finalidade ainda não foi aprovada. (Foto: Agência Brasil)

O presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Paulo Rabello de Castro, é um dos alvos da operação Pausare, deflagrada nesta quinta-feira (1º) pela PF (Polícia Federal) para esclarecer suposta atuação de uma organização criminosa especializada no desvio de recursos do Postalis (Instituto de Seguridade Social dos Correios e Telégrafos), fundo de pensão dos funcionários dos Correios.

A casa do presidente do BNDES no Rio de Janeiro foi alvo de busca e apreensão, e ele foi à Polícia Federal em Brasília para prestar esclarecimentos.

Segundo a Polícia Federal, a má gestão dos recursos e os desvios investigados geraram déficit de aproximadamente R$ 6 bilhões no Postalis.

Entre os alvos das medidas judiciais da operação, há empresários em suposta articulação com gestores do fundo de pensão, dirigentes de instituição financeira internacional, empresas com títulos em bolsas de valores e instituições de avaliação de risco.

Rabello de Castro é fundador da SR Rating, primeira empresa brasileira de classificação de riscos de crédito, segundo o perfil dele no site do BNDES.

Operação

A operação Pausare foi deflagrada pela PF e pelo MPF (Ministério Público Federal). Segundo os investigadores, a operação é consequência de um conjunto de auditorias de órgãos de controle encaminhados ao MPF, que “identificaram má gestão, irregularidades e impropriedades na aplicação dos recursos do Postalis.”

Nesta quinta-feira, 62 equipes policiais cumpriram mais de 100 mandados judiciais no Rio de Janeiro, Distrito Federal, São Paulo e Alagoas. Entre os alvos, estão o ex-presidente do Postalis, Alexej Predtechensky, e o empresário Milton Lyra, apontado como operador do senador Renan Calheiros (MDB-AL).

Em nota, o MPF afirma que a atuação do grupo criminoso no Postalis “consistiria no desvio sistemático dos recursos garantidores dos planos de benefícios dos empregados dos Correios para favorecer dirigentes do fundo de pensão, empresas de avaliação de risco, instituições financeiras, gestores, administradores de fundos de investimentos, agentes e empresários que recebem as aplicações”.

“A operação é um desdobramento das investigações realizadas em três inquéritos instaurados para apurar irregularidades que teriam ocorrido no Postalis. A suspeita de que haveria problemas na administração partiu da constatação de que os investimentos fracassados realizados pelos administradores do Postalis nos últimos anos causaram prejuízos que geraram um forte impacto negativo no resultado geral do fundo de pensão”, afirmou em nota o MPF.

Entre os investimentos investigados estão a aplicação de aproximadamente R$ 223,4 milhões no FIP (Fundo de Investimento em Participações) ETB, que envolvia o projeto Nova Bolsa; as emissões de CCI (Cédulas de Crédito Imobiliário) da Mudar Master II Participações S/A, adquiridas no valor total de RS109,8 milhões e o investimento de R$ 190 milhões na FIP Bionergia, vinculado ao Grupo Canabrava.

Procurada a PF afirmou que não divulga os nomes de alvos da operação uma vez que o procedimento corre sob sigilo. A reportagem aguarda resposta da assessoria do BNDES sobre o assunto.

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