Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 18 de agosto de 2017
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, está envolvido no escândalo de corrupção global da empreiteira Odebrecht, denunciou nessa sexta-feira a ex-procuradora federal Luisa Ortega, de acordo com um áudio divulgado pelo Ministério Público do México. “Temos o detalhe de toda a cooperação, montantes e personagens que enriqueceram e essa investigação envolve o senhor Nicolás Maduro e diversos integrantes do seu entorno”, afirmou Luisa na gravação, apresentada durante a Cúpula de Procuradores e Procuradores-gerais da América Latina no Estado mexicano de Puebla.
O escândalo global de corrupção da Odebrecht tem sacudido os círculos de poder da América Latina, levando ex-presidentes, políticos e empresários à prisão dentro e fora do Brasil. De acordo com as declarações do ex-presidente da empresa, Marcelo Odebrecht (preso desde 2015 pela Operação Lava-Jato), a Venezuela é o segundo país latino-americano onde se pagou mais subornos (98 milhões de dólares), perdendo apenas para o próprio Brasil.
A ex-procuradora também denunciou que no dia 5 de agosto, quando foi destituída pela Assembleia Constituinte venezuelana (governista), a sede do Ministério Público do País, em Caracas, foi atacada e tomada “pela força das baionetas”. Segundo Luisa, mais de 300 militares da Guarda Nacional participaram do episódio, que ela define como “um evento desonroso”.
Luisa, uma antiga aliada do sistema chavista, se diz vítima de uma perseguição sistemática por parte da gestão de Nicolás Maduro. No mês passado, teve as suas contas bancárias congeladas e, desde então, ela também está proibida de deixar a Venezuela. “Eles poderão inventar delitos e continuar a prender os meus familiares e outras pessoas do meu círculo, mas jamais renunciarei a algo que jurei, que é defender até o último suspiro a democracia, a liberdade e os direitos humanos na Venezuela”, ressaltou, sem informar de onde falava – nesta sexta-feira, fontes extraoficiais indicaram que ele teria fugido para a Colômbia.
Ao ler as conclusões do evento, o procurador-geral do México, Raúl Cervantes, disse que “condenamos energicamente a ilegal e arbitrária destituição e perseguição da procuradora-geral da república bolivariana da Venezuela”. Participaram do evento representantes de Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, Panamá, Paraguai e Estados Unidos. A Venezuela vive uma crise política e econômica que foi acentuada com a instalação da Assembleia Constituinte proposta por Maduro, o que gerou protestos que deixaram ao menos 125 mortos desde o início de abril.
Perfil
Definida como “disciplinada e firme de caráter”, a ex-procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega, a quem o Supremo Tribunal autorizou julgar, é uma chavista histórica que protagonizou polêmicas acusações contra a oposição e hoje se tornou uma dura adversária do presidente Nicolás Maduro. A advogada de 59 anos passou a ser acusada de supostas “faltas graves” no cargo, após denunciar a “ruptura da ordem constitucional” por parte do governo de Caracas.
Loira, de olhos claros e sempre de óculos, ela também dirigiu suas críticas ao Poder Eleitoral e aos militares, considerados pilares do governo Maduro, junto com o Supremo. Luisa diz ter confrontado Maduro diretamente. ao rejeitar a Assembleia Constituinte que propõe para modificar a Carta Magna de 1999 (promovida pelo então presidente Hugo Chávez, falecido em 2013), por considerar que o texto viola a democracia. O deputado chavista Germán Ferrer, com quem é casada há 18 anos, a descreve como uma “pessoa muito disposta, valente e honesta, capaz de enfrentar qualquer coisa para defender os seus valores”.
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