Quinta-feira, 02 de Abril de 2020

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Brasil O primeiro-ministro de Israel mudou de ideia e participará da posse de Bolsonaro, dizem membros a sua delegação

Netanyahu desembarca no Rio de Janeiro na manhã desta sexta-feira. (Foto: Reprodução)

Com a dissolução do Parlamento de Israel e a confirmação de eleições antecipadas para 9 de abril no país judeu, a o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu estará presente na posse do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), na próxima terça-feira, 1º de janeiro. A informação, extraoficial, é de membros de sua delegação.

“Bibi”, como é conhecido em seu país, chega ao Rio de Janeiro no final da manhã desta sexta-feira ao Rio de Janeiro para uma visita de cinco dias ao Brasil, a primeira do gênero da história. Além de se encontrar com Bolsonaro e prestigiar a cerimônia da semana que vem,o premiê também é aguardado para uma reunião com os novos ministros da Defesa, general Fernando Azevedo Silva, e das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

Fontes ligadas a Netanyahu chegaram a anunciar a sua desistência em participar do evento, devido a uma crise política interna em Israel. Isso porque o gabinete do primeiro-ministro é alvo de um cerco judicial por acusações de corrupção e aliados ultraortodoxos estão revoltados com o plano do governo para alistar esses membros fundamentalistas do Estado judeu nas Forças Armadas.

Na terça-feira passada, a organização da visita recebeu ordens de Israel para que o premiê voltasse já no domingo, devido às incertezas sobre o voto pela antecipação das eleições. A costura política foi feita e a medida acabou passando (por 102 votos a zero) no dia seguinte, abrindo a possibilidade da presença de Netanyahu na posse de Bolsonaro. Ainda não há, porém, uma confirmação oficial.

Com Netanyahu, Bolsonaro poderá contar com a principal estrela de sua posse presidencial, um evento geralmente esvaziado no Brasil devido ao fato de o primeiro dia de janeiro ser um considerado uma data desfavorável no calendário.

Rejeição

Países europeus têm rejeitado associar-se a Jair Bolsonaro, devido a sua postura polêmica ao desprezar acordos apoiados por eles, como o de Paris (climático) e a iniciativa da ONU (Organização das Nações Unidas) em prol de segurança de processos migratórios.

Nas redes sociais, o embaixador francês nos Estados Unidos ironizou a fala do futuro presidente brasileiro de que seria “insuportável” morar naquele país devido “aos problemas com imigrantes”.

Já os Estados Unidos de Donald Trump, apesar de serem oi principal modelo externo do presidente eleito, desprezou o evento, enviado apenas uma delegação encabeçada pelo secretário de Estado, Mike Pompeo – que também poderá se encontrar com Netanyahu. Há quatro anos, Dilma Rousseff (PT) recebeu em sua posse a visita do então vice-preisidente americano, Joe Biden.

A aproximação entre Bolsonaro e Israel vem sendo anunciada desde a campanha. O presidente eleito, católico, batizou-se evangélico em Israel há dois anos e se aproximou desse segmento religioso, onde conta com expressivo apoio eleitoral. E os evangélicos, neopentecostais especialmente, apoiam o Estado judeu pelo que consideram justiça bíblica e, em alguns casos, precondição para volta de Jesus Cristo à Terra.

O efeito colateral disso já ficou claro: recentemente, a Liga Árabe protestou contra a ideia de Bolsonaro de mudar a embaixada brasileira de Tel Aviv, onde a maioria dos países tem representação enquanto não se soluciona o status do conflito com a Palestina, para Jerusalém.

Só Trump, entre países importantes, tomou tal medida e declarou reconhecer Jerusalém capital de Israel. Outros Estados, como a Rússia, até consideram a porção ocidental da cidade sagrada como judaica, enquanto a oriental seria a capital de um futuro Estado palestino, mas sem mudança de endereço de embaixada.

Além de ir contra o histórico de posicionamento brasileiro acerca do conflito na região, oficialmente neutro e muitas vezes tendendo ao lado árabe, a ideia pode ter consequências econômicas. O Brasil é grande fornecedor de carnes processadas sob preceitos islâmicos, com regras específicas de abate e manuseio de insumos, e hoje tem 45% de seu frango e 40% de sua carne bovina exportada com essa qualificação. Um eventual boicote poderia ter efeito devastador num setor já em dificuldades.

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