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Brasil O procurador-geral da República parabenizou a sua sucessora pela vitória, mas alertou sobre os desafios que ela terá pela frente

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Em uma carta enviada aos colegas de instituição, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, parabenizou a sua sucessora, Raquel Dodge, pela aprovação de seu nome no Senado, mas a alertou sobre os desafios que o MPF (Ministério Público Federal) terá pela frente. Conforme o titular da PGR, grupos poderosos que se beneficiam da sangria dos cofres públicos vão se insurgir para manter privilégios, podar as atribuições de procuradores e inviabilizar o combate à corrupção.

“Essas forças, que de alguma forma se beneficiam do atual estado de corrupção endêmica, lutarão renhidamente para manter seus privilégios, ainda que isso represente cercear o trabalho do MP, tolher o combate à corrupção e solapar as possibilidades de desenvolvimento econômico e social do País”, escreveu Janot.

Janot também elogiou a escolha de Raquel para o cargo e o respeito à lista tríplice definida a partir de eleição interna entre procuradores da República. Para ele, a indicação da segunda colocada nas eleições promovidas pela ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República) mantém uma tradição de consideração à lista, iniciada em 2002.

“O respeito à lista, mesmo em momento de tamanha turbulência política, é verdadeiramente uma razão para comemorar, pois o gesto revela a maturidade e o vigor de nossa democracia, além de sua capacidade de superar as questões contingenciais em nome de princípios e valores estruturantes para nossas instituições e, sobretudo, para o país”, afirmou o procurador-geral.

Na avaliação do procurador-geral da República, a indicação de Raquel foi merecida: “Espero que sua gestão seja exitosa, mantendo, com a competência que lhe é peculiar, o MPF no caminho virtuoso da combatividade e da independência, de forma a preservar o íntegro ethos institucional”. O procurador-geral sustentou que a transição no comando da instituição ocorrerá dentro “da mais absoluta transparência e profissionalismo”. Janot deixará o cargo em 17 de setembro.

Raquel foi indicada pelo presidente Michel Temer depois de ficar em segundo lugar na lista tríplice. Na quarta-feira, o nome dela foi aprovado por 74 votos a um no plenário do Senado. Foi a vitória mais expressiva de um candidato a procurador-geral.

Gilmar Mendes

Aos procuradores, Janot acrescentou que “os perigos que nos espreitam também merecem redobrada vigilância. Se, por um lado, o trabalho sério, impessoal e eficaz de combate à corrupção, desenvolvido especialmente no âmbito da Operação Lava-Jato, realçou ainda mais a importância do Ministério Público para a sociedade brasileira, agregando-lhe prestígio, por outro, colocou-o em clara rota de colisão com interesses tão escusos quanto poderosos”.

O subprocurador Nicolao Dino, nome mais votado na lista tríplice da ANPR, é também o mais ligado à gestão de Janot. Ele é irmão do governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), adversário político da família do senador e ex-presidente José Sarney (1985-1990). O presidente Michel Temer preferiu escolher Dodge, que teve a nomeação apoiada por integrantes da cúpula do PMDB e ainda pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes.

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