Terça-feira, 18 de Fevereiro de 2020

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Brasil O PSDB começa a ensaiar um discurso de oposição a Bolsonaro no Congresso Nacional

"O presidente despreza os limites do bom senso por sua incontinência verbal", disse o tucano FHC. (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)

Após a aprovação da reforma da Previdência, tucanos afirmam que o caminho natural do PSDB no Congresso Nacional é começar a adotar um discurso de oposição. O partido continuará a apoiar reformas econômicas, uma de suas bandeiras, mas pretende ser incisivo em relação a outras pautas do governo de Jair Bolsonaro.

Um dos motivos para a nova é postura é a antecipação do calendário eleitoral. Ao criticar o governador de São Paulo, João Doria, como possível adversário, Bolsonaro gerou uma reação. Mirando 2022, os tucanos querem aproveitar o momento para marcar posição.

Por enquanto, a disposição deve se restringir ao Congresso. Governadores do PSDB devem se manter “independentes” por temerem retaliação caso entrem em confronto com o Palácio do Planalto.

Declarações polêmicas

A escalada de declarações polêmicas de Bolsonaro acelerou no PSDB um movimento para se descolar do governo federal. Depois de críticas às falas de Bolsonaro feitas por dois de seus três governadores – João Doria (São Paulo) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) –, o partido se posicionou, demarcando diferenças em relação ao presidente.

“Gente, fica a dica: ser contra a ditadura no Brasil não é ser de esquerda ou comunista. É apenas respeitar a história e ser absolutamente contra todas as atrocidades cometidas durante o período”, escreveu o PSDB nas suas redes sociais. Foi a primeira vez que a nova direção do partido, empossada em maio, usou seus perfis para se contrapor a uma declaração do presidente da República.

No fim do mês passado, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso reforçou a ofensiva tucana. “O presidente despreza os limites do bom senso por sua incontinência verbal. Contraria documentos oficiais sobre o pai do presidente da OAB e dá vazão a rompantes autoritários. Prejuízo para ele e para o Brasil: gostemos ou não foi eleito. O que diz repercute e afeta nossa credibilidade”, escreveu FHC no Twitter.

Lideranças nacionais do partido afirmam que o período de “observação” do presidente acabou e que a legenda passará a se manifestar contra “radicalismos” de Bolsonaro. A orientação vale também para seus ministros.

O PSDB acredita que, para ter chance na próxima disputa presidencial, precisa se descolar de Bolsonaro, a quem muitas de suas lideranças deram apoio em 2018, e se reconectar com o eleitorado mais moderado, aquele que optou por Bolsonaro por medo de uma vitória do PT e não por apoiar suas ideias.

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