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O psicólogo acusado de vender ilegalmente dados de pessoas que usam o Facebook já havia recebido informações sobre 57 bilhões de amizades feitas na rede social

O Facebook afirmou que os dados cedidos não revelavam detalhes sobre os perfis de seus usuários. (Foto: Reprodução)

O psicólogo Aleksandr Kogan – acusado de vender ilegalmente em 2014 dados de usuários do Facebook para a consultoria política Cambridge Analytica – já tinha uma relação próxima com a rede social. Em 2013, ele recebeu arquivos contendo informações a respeito de 57 bilhões de amizades feitas na rede social em 2011, informou o jornal britânico The Guardian. As informações foram entregues para que Kogan e outros pesquisadores do laboratório de psicologia da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, pudessem realizar um estudo. As informações são do jornal O Globo.

As informações foram utilizadas para uma pesquisa sobre a dinâmica das amizades no mundo, cujo resultado foi publicado na revista acadêmica “Personality and Individual Differences” em 2015. Na época, o estudo foi classificado pela universidade como “o primeiro produto de uma pesquisa em andamento que é parte da colaboração entre o laboratório de psicologia de Cambridge e o Facebook”.

Para muitos críticos do escândalo envolvendo o Facebook e a Cambridge Analytica, como Jonathan Albright, diretor do centro de jornalismo digital da Universidade Columbia, em Nova York, os dados sobre 57 bilhões de amizades oferecidos a Kogan revelam uma relação atípica entre as partes.

“Não é comum que o Facebook compartilhe esse tipo de informação. Isso sugere que o Facebook tinha uma relação de confiança com Aleksandr Kogan”, disse ele ao The Guardian.

Em resposta, o Facebook afirmou que os dados cedidos para a pesquisa não revelavam detalhes sobre os perfis de seus usuários, mas eram apenas números sobre a quantidade de amizades feitas na rede social entre pessoas que moram em países diferentes. De acordo com a empresa, os dados foram cedidos apenas para fins de colaboração acadêmica.

A companhia disse que rompeu relações com Kogan em 2016, logo depois de ter descoberto que ele tinha violado os termos de utilização de dados da empresa. Kogan havia desenvolvido, em 2013, um aplicativo que funcionava como teste de personalidade dentro da rede social para traçar perfis psicológicos dos usuários, segundo afirma com finalidade acadêmica. O aplicativo, utilizado por 270 mil usuários do Facebook, acabou tendo acesso irregular a informações dos amigos dessas pessoas, alcançando a marca de 50 milhões de usuários atingidos. Mais tarde, esses dados foram vendidos para a empresa de consultoria política Cambridge Analytica, que está sendo acusada de ter utilizado essas informações privadas para fazer marketing político, na campanha de Donald Trump à Presidência em 2016 e na campanha do Brexit, no mesmo ano.

Kogan afirma que o aplicativo foi repaginado completamente, incluindo mudanças nos termos de uso, para que fosse utilizado por uma empresa criada por ele em 2014, a Global Science Research. De acordo com o psicólogo, o Facebook foi notificado de que, com a mudança, o aplicativo seria usado para fins comerciais. Ele afirma que a empresa não tomou nenhuma decisão imediata sobre o assunto. Kogan acusa tanto o Facebook quanto a Cambridge Analytica de o utilizarem como “bode expiatório”.

A primeira reportagem sobre o uso de informações de usuários do Facebook pela Cambridge Analytica foi publicada no final de 2015 pelo The Guardian. O Facebook constatou o vazamento na época, segundo o jornal norte-americano The New York Times, mas o manteve em segredo, sem notificar nem usuários que tiveram sua privacidade violada nem investidores da empresa.

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