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Brasil O PT ainda confia nas possibilidades de recurso para garantir a candidatura de Lula à Presidência da República

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Otimista, o deputado Wadih Damous é um dos que negam "plano B" no partido. (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

A decisão do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) de rejeitar o recurso apresentado pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e manter a sua condenação em segunda instância deixa preliminarmente inelegível o líder petista e pré-candidato ao Palácio Planalto, de acordo com a Lei da Ficha Limpa. Muitos afiliados e simpatizantes do PT, no entanto, aumentaram as suas esperanças desde o “salvo-conduto” obtido há uma semana no STF (Supremo Tribunal Federal), impedindo a prisão de Lula até o dia 4 de abril, quando o mérito de seu habeas corpus será julgado na Corte.

A vitória no Supremo, ainda que temporária, deu a petistas a confiança na virada de um jogo em que vinham perdendo. Mas, diferentemente de uma partida de futebol, o time não precisa buscar de forma apressada a bola no fundo das redes após sofrer um gol. Quanto mais o tempo correr, melhor.

Parlamentar e advogado que esteve à frente da defesa da ex-presidenta Dilma Rousseff durante o processo de impeachment, o deputado federal Wadih Damous (PT-RJ) compara o clima atual ao de uma equipe que “consegue respirar” e cuja torcida na arquibancada já se anima. Embora considere que a situação deva ser encarada com cautela, pois não acha que a liminar “aponte tendência dos ministros do STF na apreciação do mérito do habeas corpus”, ele prevê uma surpresa positiva, “quem sabe um 7 a 4”.

Na vitória do dia 21, foram seis votos favoráveis e cinco contrários a Lula. “Estou esperançoso, otimista, até porque o habeas corpus é cabível, não é aventureiro”, ressalta Damous. Uma vez solto, o político que governou o Brasil por dois mandatos consecutivos entre 2003 e 2010 potencializa as suas próprias chances de concorrer à Presidência da República, criando o fato político de uma campanha que já percorre todo o País, ou de transferir votos, caso o PT decida lançar um “plano B”.

A discussão de uma candidatura alternativa, no entanto, esfriou, na medida em que o STF aponta que deixará o ex-presidente em liberdade, até que se esgotem os recursos para além da segunda instância. Damous evita associar um eventual vitória em relação ao habeas corpus com um julgamento favorável no que se refere à Lei da Ficha Limpa: “Quem votou contra o habeas pode votar a favor da elegibilidade, e vice-versa. Isso não se comunica com a questão eleitoral”.

Apesar disso, o parlamentar sustenta que a candidatura de Lula vai se reafirmando, uma vez que o ex-presidente continua em primeiro lugar nas mais recentes pesquisas de intenções de voto. “Se ele tivesse 2% das preferências, não estaríamos discutindo. Mas olhe quanto ele tem, depois do tanto que apanhou! Ninguém aqui vai ter plano B”, assegura o correligionário.

Sem “plano B”

Na iminência do impedimento de Lula, os petistas passaram a cogitar o lançamento do ex-ministro e ex-governador baiano Jaques Wagner e do ex-ministro e ex-prefeito paulistano Fernando Haddad. “Se tiver plano B, só se for na cabeça dele [Lula]. Fala-se em Wagner e Haddad, até porque temos nomes, mas são só especulações”, afirma.

Damous diz, ainda, que um eventual pedido de impugnação do registro de candidatura de Lula levará à montagem de uma estratégia para garantir a participação do ex-presidente no pleito, embora o deputado não queira adiantar qual será a diretriz. Os recursos serão apresentados ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e chegarão ao Supremo.

“O julgamento dos embargos [pelo TRF-4] não trouxe surpresa. Tecnicamente, Lula não está inelegível. Quem decreta isso é o TSE. Será uma situação muito interessante, com Lula provavelmente vencedor no primeiro turno, com milhões de votos, enquanto o Poder Judiciário tenha que decidir se impede a vontade popular”, ironiza.

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