Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 16 de outubro de 2018
As declarações do senador eleito e ex-governador do Ceará Cid Gomes (PDT), de que o PT deveria fazer mea-culpa e assumir que fez “muita besteira”, fizeram com que a campanha do petista Fernando Haddad considerasse improvável a criação de uma grande frente democrática contra a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL). O PT tem encontrado dificuldades para atrair apoios de nomes da centro-esquerda e está praticamente descartada a hipótese de Ciro Gomes (PDT) vir a se engajar na campanha. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Na tarde desta terça-feira (16), Cid tentou remediar sua fala, mas ainda manteve o tom duro contra os petistas. “Comparei os dois nomes que estão no segundo turno. “O Haddad é infinitamente melhor que o Bolsonaro. Eu não quero me vingar de ninguém. Para o Brasil o menos ruim é o Haddad. Por isso penso que seria melhor que ele ganhasse”, escreveu, no Facebook.
O senador eleito pela Bahia Jaques Wagner (PT) chegou a dizer que desconhece a criação de uma frente. Segundo ele, a ideia é obter apoio de outros setores da sociedade. Em conversas privadas, alguns dirigentes do PT avaliam que a explosão de Cid Gomes somadas às declarações do presidente do PDT, Carlos Lupi, e o sumiço de Ciro, são movimentos calculados que visam definir o papel da sigla pedetista em relação a um eventual governo Bolsonaro.
A possibilidade de apoio público do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também é considerada distante. Segundo membros da campanha, FHC emite sinais contraditórios. Após a polêmica com Cid, Valter Pomar, líder da corrente Articulação de Esquerda, afirmou que “mais ajuda quem não atrapalha”. “Quem está em pânico, quem acha que a derrota é certa, quem prefere ir embora, por favor vá já, pois mais ajuda quem não atrapalha”, escreveu.
O discurso de Cid foi feito na segunda-feira, 15, em evento do PT em Fortaleza. Na ocasião, ele disse que o partido do presidenciável Fernando Haddad precisa fazer mea culpa e assumir que fez “muita besteira” – ou perderá a eleição de forma “merecida”. O irmão de Ciro, que estava na corrida presidencial, ainda disse que Bolsonaro é uma “criação” de quem acha que é dono da verdade. A coordenação da campanha petista no Estado classificou a atitude de Cid como “desrespeitosa”.
“Tem que fazer mea culpa, tem que pedir desculpa, ter humildade e reconhecer que fizeram muita besteira”, disse Cid, ao lado do governador eleito no Estado, Camilo Santana (PT). Vaiado por militantes petistas, Cid apontou para um deles, que fazia sinal de negativo com as mãos, e o confrontou. O vídeo ganhou repercussão nas redes sociais na madrugada desta terça.
“É assim? Pois tu vai perder a eleição. Não admitir mea culpa é pra perder a eleição e é bem feito”, disse Cid. “Quem, junto com ele (militante), acha que fez tudo certo, muito bem, pois vão perder feio. Porque fizeram besteira, aparelharam as repartições públicas, porque acharam que eram donos de um País e o Brasil não aceita ter dono.”
Ao ouvir gritos de “Olê olê olá, Lula, Lula!”, em apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Cid chamou a militância de “babaca”. “Quem criou o Bolsonaro foram essas figuras que acham que são donos da verdade, que acham que os fins justificam os meios. Que Lula o quê? O Lula está preso, babaca! E vai fazer o quê? Babaca! Isso é o PT e o PT desse jeito merece perder.”
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