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Variedades O que a inteligência artificial descobre nos relógios inteligentes já está mudando as consultas médicas

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O especialista afirma que, para a telessaúde, esses equipamentos, além de outros como o tradicional aferidor de pressão, são vistos de forma positiva quando têm como finalidade acrescentar ao acompanhamento médico. (Crédito: Reprodução)

Pelo menos duas vezes por semana, a endocrinologista Alessandra Rascovski recebe em seu consultório pacientes munidos de relatórios de dados de saúde coletados por smartwatches e anéis inteligentes. Não raro, as mesmas informações também já foram antes “interpretadas” em ferramentas de inteligência artificial. Um relato cada vez mais comum entre médicos e nutricionistas, que alertam para o fato de que o uso excessivo dos chamados wearables pode aumentar o risco de ansiedade e a busca por soluções que não necessariamente receberiam aval de especialistas.

“O problema não é usar o wearable. É a forma como ele é utilizado”, acredita a médica. “É um excelente instrumento de autoconhecimento, mas se você transformar isso em autocobrança, deixa de funcionar. E, então, surgem as condições preocupantes que estão sendo relacionadas a esse tipo de ferramenta, como a ansiedade.”

Ansiedade que cresce, segundo ela, também pelo desconhecimento sobre a forma mais adequada de monitorar os dados. A melhor alternativa, diz, é analisar as informações ao longo das semanas, para entender os padrões do organismo, e não diariamente, como é feito em boa parte das vezes.

Quando o paciente chega com a dobradinha dados de relógios e interpretação de IA, Alessandra costuma fazer uma proposta: “É melhor você aproveitar este momento. Se depois que fizermos a consulta você quiser me mostrar algum dado, olhamos juntos.”

O médico Carlos Pedrotti destaca que o acesso em tempo real a essas métricas está mudando a relação médico-paciente, colocando o indivíduo no centro do cuidado e exigindo que os profissionais de saúde atuem como consultores críticos. “O especialista vai orientar como ler esses dados, tirar dúvidas e solicitar exames, se for preciso”, detalha.

O especialista afirma que, para a telessaúde, esses equipamentos, além de outros como o tradicional aferidor de pressão, são vistos de forma positiva quando têm como finalidade acrescentar ao acompanhamento médico. No entanto, quando o uso de wearables está mais voltado para o bem-estar, há uma tendência maior de automonitoramento que de um monitoramento acompanhado por um especialista.

“Isso já é muito frequente no âmbito de treinamento e de alta performance, principalmente da corrida. Há pessoas que compartilham as informações com o treinador, que analisa esses dados, verifica as características da performance obtida naquele treino e faz os ajustes para o próximo.”

No entanto, o monitoramento excessivo pode desencadear ou intensificar a ansiedade por dados ou a obsessão por dados de saúde, alerta o médico. “Esse comportamento é mais observado em pessoas que já têm ansiedade prévia ou traços de ansiedade relacionada à saúde, como hipocondria. Estudos começam a descrever que existe uma tendência de que a pessoa que já tem ansiedade comece a desenvolver a ansiedade de dados ou a obsessão por dados de saúde.”

Questões que devem se aprofundar conforme os wearables se tornam comuns no cotidiano brasileiro. Só no ano passado, foram vendidos no País 28,2 milhões desses dispositivos vestíveis, movimentando US$ 1,8 bilhão, segundo dados das consultorias IDC Brasil e IMARC Group.

No caso dos equipamentos mais avançados, nem é preciso que o usuário coloque ativamente os dados coletados em alguma ferramenta de IA. Smartglasses lançados neste ano, como Ray-Ban Meta Glasses e Even Realities G2, por exemplo, se conectam com anéis e relógios inteligentes para exibir dados de saúde gerados por IA diretamente na tela do óculos. Além de apresentar essas informações, os aparelhos têm a função de criar resumos “inteligentes” estruturados diretamente pelo aplicativo, com a interpretação contínua do que o usuário está vendo ou ouvindo.

“A inteligência artificial dá diagnósticos muito convincentes, o que pode ser o ‘suficiente’ para algumas pessoas, que vão tomar decisões sem ouvir profissionais”, diz o pós-doutor em Psiquiatria Cristiano Nabuco, reitor da Artmed School of Psychology (APSY). “Traz a autonomia pessoal, inclusive em temas nos quais a população não é versada.” (Com informações do portal Estadão)

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