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Brasil O que se sabe sobre a vacina russa Sputnik V comprada pelo governo federal e por Estados do Nordeste

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O dirigente do ISP disse que o país está buscando esclarecimento dos desenvolvedores da vacina sobre possível presença de um adenovírus que pode se reproduzir, criando uma reação negativa. (Foto: Governo de Corrientes/Divulgação)

Foi anunciada no sábado (13) a compra pelo consórcio de governadores do Nordeste de 37 milhões de doses da vacina Sputinik V, desenvolvida pelo instituto russo Gamaleya.

Um dia antes, o governo federal havia divulgado que adquiriu outras 10 milhões de doses do imunizante, que ainda não foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. De acordo com o Gamaleya, o uso da Sputnik já foi autorizado em 51 países, que reúnem uma população somada de 1,3 bilhões de pessoas.

A intenção original do consórcio de governos do Nordeste era comprar 2 milhões de doses a mais do que foi acordado, mas foi preciso reduzir o pedido de acordo com a capacidade de produção do laboratório União Química, que tem um acordo com a Rússia para a produção local desta vacina.

Anteriormente, a União Química havia informado ter capacidade de fabricar e distribuir 150 milhões de doses do imunizante até dezembro de 2021. A empresa tem um acordo com o Instituto Gamaleya para transferência de tecnologia.

As entregas das doses adquiridas pelo consórcio serão escalonadas: 2 milhões em abril, 5 milhões em maio, 10 milhões em junho e 20 milhões em julho. Todas serão direcionadas para o Plano Nacional de Imunização e distribuídas em todo o país.

O governador do Piauí, Wellington Dias (PT), presidente do consórcio, disse esperar que, com essa compra, o país consiga ampliar a imunização contra a covid-19 e chegar a 50 milhões de pessoas vacinadas até o próximo mês.

“Teremos condições de ter 20 milhões de brasileiros vacinados já agora em março. Todo o esforço vai na direção para chegar no mês de abril com 50 milhões de pessoas vacinadas”, projetou o governador do Piauí.

Na sexta-feira (12), o Ministério da Saúde anunciou a aquisição de 10 milhões de doses da Sputnik V. No cronograma da pasta, serão entreges 400 mil doses em abril, 2 milhões em maio e 7,6 milhões em junho.

“Para que possamos aplicar a Sputnik, só necessitamos que a União Química providencie com a Anvisa, o quanto antes, a autorização para uso emergencial e temporário”, disse Elcio Franco, secretário do ministério.

O que diz a Anvisa?

Até o momento, a Sputnik V não é relacionada pela Anvisa entre os registros de vacinas de que estão sendo analisados pela agência em um site criado especialmente para informar isso.

De acordo com a Anvisa, a União Química solicitou em 15 de janeiro a autorização de uso emergencial para a vacina russa, mas o pedido foi devolvido porque era necessário complementar dados e informações que são normalmente requisitadas pela agência e a farmacêutica não havia fornecido. Isso não foi feito pela empresa até agora.

Uma vez feito o pedido de uso emergencial, a agência tem 30 para analisar a solicitação e emitir seu parecer. A agência informa que um imunizante “precisa ter demonstrado um mínimo de 50% de eficácia, além de segurança bem estabelecida” para ser aprovado.

A empresa também pediu no início de janeiro permissão para fazer estudos de fase 3 da Sputnik no Brasil, mas também faltavam informações essenciais.

No dia 21 de janeiro, a empresa e a Anvisa tiveram uma reunião, na qual os representantes da União Química apresentaram informações e reafirmaram o interesse fazer os estudos e pedir a autorização de uso emergencial.

Segundo a agência, “em 19 de fevereiro de 2021, um representante da empresa enviou e-mail para a área de pesquisa clínica da Anvisa informando que os dados estavam sendo providenciados e que estariam discutindo com os pesquisadores no Brasil”.

As duas primeiras fases dos estudos clínicos da Sputnik V começaram na Rússia no final de junho, quando foi investigado se a vacina, que é aplicada em duas doses com diferença de 21 dias entre elas, é segura e leva à produção de anticorpos. Cada fase teve 38 participantes.

Publicados no periódico The Lancet, os resultados apontaram que só foram registrados eventos adversos leves e nenhum grave, e que todos os participantes desenvolveram uma resposta imunológica capaz de combater o coronavírus e impedir a infecção por ele.

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