Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 5 de abril de 2019
Cidadãos britânicos já começaram a receber passaportes sem a inscrição “União Europeia”, mesmo com o Reino Unido ainda não tendo deixado o bloco. Alguns documentos com data de emissão posterior a 30 de março já não possuem mais o “European Union” acima do nome “Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte”. As informações são do portal de notícias G1 e da agência de notícias Reuters.
A mudança aconteceu porque a data inicialmente prevista para o Brexit era 29 de março. O Reino Unido, porém, negociou uma extensão do prazo até 12 de abril com o Conselho Europeu e, nesta sexta-feira (5), a primeira-ministra Theresa May pediu novo adiamento até 30 de junho.
Segundo um comunicado do departamento responsável pela emissão dos documentos, alguns cidadãos ainda receberão passaportes com a inscrição por mais um tempo, mas não será possível escolher qual tipo cada pessoa irá receber.
Depois que o processo do Brexit for concluído e o Reino Unido estiver fora do bloco, nenhum passaporte será emitido com a inscrição “União Europeia”. No entanto, os documentos que ainda estiverem dentro do prazo de validade poderão ser usados normalmente até expirarem.
A cor dos passaportes britânicos também irá mudar por causa do Brexit. Em vez do vermelho escuro, comum a todos os países da União Europeia, será adotado novamente o azul, usado inicialmente há quase 100 anos e abandonado quando o Reino Unido entrou para o bloco.
Os primeiros passaportes azuis serão emitidos no final de 2019 e distribuídos juntamente com os vermelhos durante algumas semanas. Também neste caso os cidadãos não poderão escolher qual irão receber. A previsão é de que, a partir do início de 2020, todos os documentos emitidos já sejam azuis.
Conversas
O Partido Trabalhista, sigla de oposição do Reino Unido, disse nesta sexta-feira que as conversas com o governo sobre um acordo de última hora para a separação de seu país da União Europeia não progrediram, e líderes da UE disseram que a primeira-ministra britânica, Theresa May, não os convenceu de que deveriam deixar o Reino Unido adiar sua saída na semana que vem.
May escreveu a Bruxelas pedindo que os líderes do bloco adiassem o Brexit da próxima sexta-feira para 30 de junho – mas eles insistiram que primeiro ela precisa mostrar um plano viável para garantir que seu pacto de saída seja aprovado em um Parlamento hoje estagnado.
Os trabalhistas, para os quais ela se voltou relutantemente depois de ver seu acordo rejeitado três vezes, disseram que o governo “não ofereceu uma mudança ou um compromisso real” em três dias de conversas.
“Exortamos a primeira-ministra a apresentar mudanças genuínas em seu acordo”, disse um comunicado.
O porta-voz dos trabalhistas para o Brexit, Keir Starmer, disse que seu partido quer que as conversas continuem, e um porta-voz do escritório de May disse que o governo “fez propostas sérias” nas negociações e que deseja que elas continuem no final de semana “de forma a render um acordo que seja aceitável para os dois lados”.
May precisa de uma estratégia de saída viável para persuadir os 27 outros líderes do bloco a concederem um adiamento em uma cúpula na quarta-feira, de preferência para a data de separação que ela escolheu.
Qualquer prorrogação exigiria a aprovação unânime dos outros países da UE, todos cansados da indecisão britânica com o Brexit, e pode vir com condições.
“Se não conseguirmos entender a razão do Reino Unido estar pedindo uma prorrogação, não podemos dar uma resposta positiva”, disse o ministro das Finanças francês, Bruno Le Maire. Já a ministra da Justiça alemã, Katarina Barley, tuitou: “Esta barganha por tempo precisa acabar.”
Os comentários estão desativados.