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Colunistas O risco de politização da tragédia no RS

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(Foto: Maurício Tonetto/Secom)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

O Brasil todo tem assistido, consternado, ao desastre ambiental que se abateu sobre o Rio Grande do Sul nos últimos dias. Porém, mesmo com a tragédia ainda em curso, pessoas desabrigadas, famílias enlutadas e o clima de enorme comoção no país, partidos e lideranças políticas começam a falar sobre eleições municipais, com a defesa de que haja o adiamento da campanha no estado. Esse movimento, a meu ver, é precipitado e, especialmente, inadequado.

Não é hora para se debater política. Diante de uma situação tão atípica e de calamidade, esse não é um bom período para se falar em eleições. O momento é de apoio aos municípios atingidos pelos alagamentos e, principalmente, aos gaúchos que perderam entes queridos, casas, meios de renda e referências importantes para suas vidas. Mas o fato é que a realização, ou não, da campanha eleitoral no Rio Grande do Sul está em pauta.

Os principais argumentos para o adiamento da votação são a destruição dos locais que abrigavam as sessões eleitorais e a possibilidade de alto índice de abstenção dos eleitores. Mas, afinal, a quem interessa essa eventual prorrogação? Ela beneficia a população gaúcha de que forma? Minha opinião é de que o eleitor, já tão castigado pelos temporais e alagamentos, deve ter o direito ao voto assegurado. E, ao que me parece, é exatamente essa a linha de pensamento dos ministros do Tribunal Superior Eleitoral.

Embora tenham sido ventiladas notícias de que o TSE estaria cogitando adiar as eleições no Rio Grande do Sul, a informação não foi confirmada. Ou seja, oficialmente, o Tribunal não discute essa ideia. Pelo contrário, tem dado acenos no sentido de que as eleições serão mantidas.

O primeiro deles ocorreu quando o presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes, autorizou a prorrogação, por 15 dias, do prazo final para o fechamento do cadastro eleitoral em todo o estado do Rio Grande do Sul. Esse é um gesto claro de que a Justiça Eleitoral quer dar aos cidadãos a chance de regularização da situação cadastral, para que possam exercer o direito ao voto em outubro.

O segundo sinal, de que o adiamento do pleito não vem sendo cogitado pelo TSE, foi o anúncio, também feito por Moraes, de que todas as urnas eletrônicas danificadas pelos alagamentos serão substituídas. Isso nos indica que o Tribunal está agindo para garantir a realização das eleições, caso existam condições de infraestrutura nas cidades.

Se elas serão efetivamente realizadas, já é outra questão. Porém, essa resposta não existe pelo simples fato de que ainda não é possível mensurar exatamente quais serão os impactos do desastre na vida das pessoas e no cotidiano das cidades até outubro. É preciso aguardar o fim do período crítico para que possamos fazer qualquer tipo de avaliação.

Até que isso ocorra, partidos e candidatos devem usar do bom sendo para que as discussões sobre eleições permaneçam suspensas. O uso político da tragédia tira o foco do apoio aos municípios e coloca em risco o bem-estar da população.

(Wilson Pedroso é consultor eleitoral e analista político com MBA nas áreas de Gestão e Marketing)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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Fernando Krause
22 de maio de 2024 22:47

Se houvesse “bom senso” na extrema esquerda, a nomeação de um ministro exclusivo para a tragédia das enchentes e alagamentos com o propósito de dar visibilidade política ao mesmo, onde existe um governador eleito com autonomia para resolver, não deveria configurar propaganda eleitoral antecipada…
Mas é bem o contrário, o lulopetismo está politizando a catástrofe!

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