Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 7 de março de 2018
A quebra do sigilo bancário de Michel Temer determinada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso ameaça alterar a “dança das cadeiras” da próxima reforma ministerial, prevista para o mês que vem.
Segundo fontes ligadas ao Palácio do Planalto, aliados do emedebista já admitem a possibilidade de rever a estratégia de nomear perfis alinhados ao presidente independentemente dos votos que eles possam garantir para o governo no Congresso Nacional.
O temor de que uma nova denúncia venha a ser apresentada pela PGR (Procuradoria-Geral da República) pode fazer com que Temer considere montar uma equipe capaz de derrubar na Câmara dos Deputados um eventual pedido de investigação.
Nesta quinta-feira,o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, deve terminar de ouvir os cerca de 15 ministros que já confirmaram que deixarão o governo para disputar as eleições deste ano. Depois, ele vai se reunir com Temer para escalar o novo time que entrará em campo.
Interlocutores do chefe do Executivo avaliam que a quebra de seu sigilo bancário remete a “tempos nebulosos” do atual governo federal. A alusão diz respeito à pior crise política enfrentada por Temer, em maio do ano passado. Na época, o emedebista se viu enredado em denúncias de corrupção por delações de executivos do grupo frigorífico JBS/Friboi, dos irmãos Joesley e Wesley Batista.
Palanques regionais
Ministros do governo têm ignorado a orientação do Palácio do Planalto e já negociam palanques regionais em favor de candidaturas de potenciais adversários do presidente nos Estados. A intenção de Michel Temer é aproveitar a reforma ministerial para manter na Esplanada apenas os partidos que fizerem parte do mesmo projeto eleitoral do MDB.
Em ao menos quatro casos, entretanto, as legendas não querem se comprometer com a vinculação e já negociam os substitutos de seus ministros, independentemente de apoiar ou não o projeto do presidente da República.
No Paraná, por exemplo, o ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP), comanda articulação de chapa estadual que dará palanque presidencial ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). Lá, os progressistas devem lançar ao Executivo estadual a atual vice-governadora, Cida Borghetti, mulher de Barros. Ela deve assumir o governo em abril, quando o governador, Beto Richa (PSDB), renunciará ao cargo para concorrer ao Senado na chapa de Cida.
Mesmo com negociação de Barros em favor dos tucanos, o PP já negocia o nome de um substituto para o ministro, que deixará o cargo em 7 de abril para disputar a reeleição na Câmara. Um dos cotados é João Leão, vice-governador da Bahia na gestão do petista Rui Costa.
Já em Alagoas, o ministro do Turismo, deputado licenciado Marx Beltrão (MDB), negocia uma vaga na chapa majoritária ao Senado, encabeçada pelo governador Renan Filho e pelo senador Renan Calheiros. Embora filiados ao MDB, ambos tentarão a reeleição defendendo, no plano nacional, uma eventual – e ainda incerta – candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab (PSD), é outro que tem atuado em desacordo com os interesses eleitorais de Temer. Kassab já deu declarações públicas de que praticamente selou acordo com o PSDB em São Paulo, onde o MDB ainda estuda se lança Paulo Skaf como candidato a governador. Pelo acordo, o PSD indicará o candidato a vice-governador na chapa encabeçada por um tucano e, em troca, se compromete a apoiar Alckmin no plano nacional.
“O PSD tem como premissa que o presidente Michel Temer não será candidato, pois é evidente que, sua candidatura existindo, seu nome seria imediatamente incluído nas discussões do partido”, desconversou Kassab, que quer indicar o secretário executivo da pasta, Elton Santa Fé Zacarias, como seu substituto no comando do ministério. Homem de confiança de Kassab há anos, Zacarias também é filiado ao PSD.
Opções
O PRB, que pretende manter o comando do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços após a reforma ministerial, também tem negociado com presidenciáveis não alinhados ao Palácio do Planalto.
O presidente da legenda, Marcos Pereira, disse que conversa nesta terça-feira, 6, com o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), Alckmin e o senador Álvaro Dias (Podemos-PR). Como mostrou o Estadão/Broadcast, o Podemos ofereceu a vaga de candidato a vice-presidente na chapa de Álvaro Dias, que atua como oposição ao governo Temer.
Ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco afirmou que Temer avisou aos partidos sobre a vinculação na reforma ministerial e que quem não seguir a orientação não terá a garantia de que manterá o espaço que tem no governo.
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