Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 24 de outubro de 2019
As contas externas do Brasil registraram déficit de US$ 34,055 bilhões nos nove primeiros meses deste ano. O aumento no rombo foi de 83,4% na comparação com o mesmo período de 2018, quando foi registrado um resultado negativo de US$ 18,566 bilhões. Os números foram divulgados nesta quinta-feira (24) pelo BC (Banco Central).
O déficit em transações correntes, um dos principais sobre o setor externo do País, é formado pela balança comercial (comércio de produtos entre o Brasil e outros países), pelos serviços (adquiridos por brasileiros no exterior) e pelas rendas (remessas de juros, lucros e dividendos do Brasil para o exterior).
O resultado de 2019 foi o pior, para os nove primeiros meses de um ano, desde 2015, ou seja, em quatro anos. Nos nove primeiros meses de 2015, 2016 e 2017, respectivamente, o saldo ficou negativo em US$ 47,854 bilhões, US$ 16,319 bilhões e US$ 7,840 bilhões.
De acordo com o BC, a piora no rombo das contas externas na parcial deste ano se deve, principalmente, à piora do saldo positivo da balança comercial (menos US$ 9,6 bilhões na comparação com 2018), ao aumento das remessas de lucros e dividendos ao exterior (US$ 6,04 bilhões a mais) e das remessas de juros (US$ 1,46 bilhão).
Somente em setembro, de acordo com informações oficiais, o rombo nas contas externas somou US$ 3,487 bilhões, contra US$ 194 milhões no mesmo mês do ano passado.
Para todo ano de 2019, a expectativa do Banco Central é de um déficit em transações correntes de US$ 36,3 bilhões.
Investimento estrangeiro
O Banco Central também informou que os investimentos estrangeiros diretos na economia brasileira somaram US$ 47,519 bilhões de janeiro a setembro deste ano, com queda de 11,9% frente ao mesmo período do ano passado (US$ 53,953 bilhões).
Com isso, os investimentos estrangeiros foram suficientes para cobrir o rombo das contas externas no acumulado deste ano (US$ 34,055 bilhões).
Somente em setembro, os investimentos estrangeiros na economia brasileira somaram US$ 6,306 bilhões, contra US$ 7,917 bilhões no mesmo mês do ano passado.
Para 2019, o Banco Central estima um ingresso de US$ 75 bilhões em investimentos estrangeiros diretos na economia brasileira.
Revisão da metodologia
Em agosto, o Banco Central mudou a metodologia de cálculo dos números das contas externas e que, por isso, revisou os valores registrados nos últimos anos.
De acordo com a instituição, a revisão reflete o uso de “novas fontes de dados para as transações entre residentes e não residentes realizadas diretamente no exterior – buscando suprir esta que é a mais importante lacuna de informações no balanço de pagamentos brasileiro –, além da melhoria de qualidade de fontes já existentes”.
Por conta disso, o rombo na contas externas do ano de 2017 subiu de US$ 7,2 bilhões (estatística anterior) para US$ 15 bilhões. O déficit em transações correntes do ano passado foi revisado de US$ 15 bilhões para US$ 21,9 bilhões.
A revisão também afetou o resultado do ingresso de investimentos diretos na economia brasileira. Em 2017, por exemplo, pela nova metodologia, os investimentos estrangeiros somaram US$ 68,9 bilhões, contra os US$ 70,3 bilhões informados anteriormente. No ano passado, foram de US$ 88,3 bilhões para US$ 76,8 bilhões.
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