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Política O Senado aprova voto de censura a assessor do governo que fez gesto associado a supremacistas brancos

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Filipe Martins (foto) fez movimento com a mão em sessão no Senado; também alvo do colegiado, Abraham Weintraub ofendeu Paulo Freire. (Foto: Reprodução/TV Senado)

O plenário do Senado aprovou nesta quarta-feira (31), de forma simbólica, “voto de censura” a Filipe Martins, assessor especial da Presidência da República. A medida ocorre após Martins fazer um gesto associado a supremacistas brancos durante um discurso do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), em uma sessão que cobrava esclarecimentos do então ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, sobre iniciativas da pasta no combate ao covid-19.

“O senhor Filipe Martins comportou-se de forma completamente inadequada, desrespeitosa e quiçá criminosa enquanto o presidente desta Casa, o senador Rodrigo Pacheco, proferia seu discurso de abertura. Tal gestual, capturado pelas câmeras da TV Senado e transmitidos para todo o mundo, remonta à sigla WP, que significa ‘White Power’ ou, em português, ‘Poder Branco’. Tal gesto tem sido amplamente replicado por membros de grupos de extrema direita e por simpatizantes do movimento supremacista branco em protestos e redes sociais por todo o mundo.

A Liga Antidifamação, organização que monitora crimes de ódio, já afirmou que o gesto com forma arredondada entre o indicador e o polegar é uma verdadeira expressão da supremacia branca”, diz a justificativa do voto de censura, cujo requerimento foi protocolado pelo senador Fabiano Contarato (Rede-ES).

“Ainda mais grave que tal gesto tenha sido realizado justamente durante sessão de debate que buscava explicações para a incapacidade da diplomacia brasileira em contribuir com esforços de obtenção de vacinas contra a covid-19. Enquanto membros do governo se engajam nesse tipo de comportamento vexatório, mais de 200 milhões de brasileiros assistem atônitos à escala da maior crise sanitária, social e econômica da história desse País”, prossegue a justificativa do requerimento aprovado.

O assessor especial da Presidência, por sua vez, alegou em suas redes sociais que estava apenas ajeitando a lapela do paletó.

Repreensão pública

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), determinou que a Polícia Legislativa apure o caso. Como Martins não é parlamentar, o voto de censura não gera punição, limitando-se à repreensão pública do Senado ao ato do assessor presidencial. Se for constatada alguma infração, o Senado pode enviar a investigação da polícia interna ao Ministério Público Federal.

Após a polêmica, o presidente Jair Bolsonaro chegou a afirmar a aliados que demitiria Martins, mas, como Ernesto Araújo foi exonerado do Ministério das Relações Exteriores dias depois, a saída do assessor poderá ser revista, tendo em vista que o principal alvo das críticas do Congresso em relação à política externa já deixou o governo.

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