Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 27 de junho de 2019
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu manter a pena de 19 anos, 11 meses e um dia de prisão de Elize Matsunaga. Ela foi condenada por matar e esquartejar o próprio marido, Marcos Matsunaga, herdeiro da empresa Yoki. As informações são do jornal O Globo e do portal de notícias UOL.
A Corte negou o recurso especial que contestava a decisão do Tribunal do Júri de São Paulo. A defesa de Elize argumentou que a punição era muito elevada, “pois a condenada era ré primária e sua confissão do crime não teria sido considerada”.
Antes, a defesa também havia sustentado que ela cometeu o crime sob forte emoção, após ter sido agredida por Matsunaga, que teria uma amante. O relatório final do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) concluiu que ela agiu sozinha.
O advogado Luiz Flávio Borges D’Urso, assistente da acusação que representou a família da vítima, disse que a decisão do STJ foi justa.
“O crime foi gravíssimo, atingindo não só a vítima que morreu e foi esquartejada, mas também sua família que sofre até hoje com as consequências dessa morte brutal, além da pequena filha do casal que ficará marcada para sempre por essa tragédia”, afirma ele.
Marcos Matsunaga era diretor-executivo e neto do fundador da empresa de alimentos Yoki e foi assassinado em 19 de maio de 2012. Ele foi morto com um tiro à queima-roupa na cabeça e, depois, esquartejado por Elize. Na época, câmeras de segurança do prédio onde o casal morava captaram o momento em que Elize deixou o apartamento com malas onde estavam pedaços do corpo de Marcos. Ela então os desovou numa estrada de Cotia, na Grande São Paulo.
Júri popular
Entre as testemunhas ouvidas no júri popular que a condenou em 2016, a mais emblemática, por parte da defesa, foi o perito criminal e médico legista Sami El Jundi, que atuou na exumação dos restos mortais de Matsunaga, 11 meses após o assassinato. Em dez horas de depoimento – o mais longo do júri, e mais que o dobro, por exemplo, das 4h35 de interrogatório da própria Elize –, ele rebateu a perícia feita à época pela Polícia Científica de São Paulo ao concluir que a vítima não havia sido morta com um tiro de curta distância, tampouco que havia sido esquartejada ainda viva –porque morrera com o tiro.
Outra testemunha de relevância para a defesa foi a tia de Elize, a técnica em enfermagem Roseli de Araújo, que mora no interior do Paraná, é a principal afetiva da ré e única pessoa da família a visitá-la, uma vez por mês, no presídio. Foi pelo depoimento dela que veio a público, pela primeira vez, a informação de que Elize havia sido abusada pelo padrasto, na adolescência, quando ela ainda morava com a família em Chopinzinho (PR). Segundo a testemunha, a sobrinha fugiu de casa, na ocasião, e só foi descoberta um mês depois no Conselho Tutelar de Gravataí (RS).
Pela acusação, uma das testemunhas de maior peso foi o delegado que indiciou Elize à época, Mauro Gomes Dias. Em mais de cinco horas de depoimento, ele reforçou os argumentos de que a ré “agiu sozinha” na morte e esquartejamento do marido. O delegado afirmou que o clima entre o casal “estava péssimo” antes do crime, uma vez que Elize desconfiava de relações extraconjugais do marido e teria confirmado ao menos uma delas por meio de um detetive, contratado dias antes do crime.
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