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Mundo O terrorista que viveu no Brasil e foi preso na Bolívia há um ano admitiu culpa e reconheceu que a luta armada foi um erro

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Cesar Battisti completou um ano de prisão recentemente. (Foto: Reprodução)

No seu primeiro ano de prisão desde que retornou à Itália, após mais de 37 anos foragido, Cesare Battisti acumulou derrotas na Justiça, admitiu culpa pela primeira vez, reconheceu que a luta armada foi um erro e continua se dedicando ao ofício de escritor, atividade que adotou após abandonar as armas.

Isolado num presídio de segurança máxima na ilha da Sardenha, Battisti, 65, não parece ter um futuro promissor. Como afirmou ao jornal Folha de São Paulo seu advogado italiano, Davide Steccanella, ele precisa esperar “dois ou três anos” para então solicitar uma eventual progressão da pena de prisão perpétua. O defensor não esconde que, para alguém que fugiu por tanto tempo, as chances são escassas.

Condenado por quatro homicídios cometidos no final dos anos 1970, quando era expoente de um dos tantos grupos armados da esquerda (havia também os de direita) que se insurgiram contra o Estado, ele driblou a Justiça de seu país de 1981 até 14 de janeiro de 2019, quando retornou preso após viver no México, na França e no Brasil.

A epopeia terminou na Bolívia, para onde fugiu após reviravolta no seu caso, sendo preso e enviado para a Itália por ordem do governo Evo Morales. Nesse primeiro ano, a defesa de Battisti não teve êxito nos dois pedidos apresentados à Justiça para tentar converter a prisão perpétua numa pena de 30 anos, como prevê o acordo de extradição brasileiro decidido pelo Supremo Tribunal Federal em 2009.

Na ocasião, a corte entendeu que a última palavra no caso caberia ao então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que concedeu refúgio a Battisti —acatando a alegação de que era um perseguido político— no seu último dia no Palácio do Planalto, em 31 de dezembro de 2010. A decisão acirrou uma crise diplomática sem precedentes entre os dois países.

Em novembro, a Suprema Corte italiana declarou “inadmissível” o recurso apresentado pela defesa ao considerar inválido o acordo de extradição com o Brasil. Isso porque Battisti fugiu do país e foi expulso da Bolívia.

“Para alguém de 65 anos, não muda se pegar 30 anos ou a prisão perpétua”, minimiza o advogado, que é especializado nos “anos de chumbo” italianos e cujo escritório em Milão fica na rua Cesare Battisti homônimo famoso do cliente, foi um jornalista e político assassinado na Primeira Guerra Mundial (1914-1918) hoje com status de herói nacional. Ele conta ter conhecido Battisti pela internet, na época em que o ex-terrorista estava no Brasil, antes das reviravoltas impulsionadas pelos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro.

O direito à progressão da pena depende de muitos fatores. Os condenados à prisão perpétua devem cumprir pelo menos dez anos para poder requisitar a revisão. Steccanella quer usar o tempo que ele passou detido no Brasil (mais de quatro anos) e na Itália (entre 1979 e 1981).

Antes, o defensor espera que as autoridades liberem o italiano para poder conversar com o filho brasileiro por Skype. O pedido foi apresentado recentemente e aguarda deliberação. Ele prefere que a criança o veja, o que considera menos traumático para ela. Sem o cavanhaque exibido quando foi preso, Battisti continua isolado após passar os primeiros seis meses numa solitária.

A penitenciária, que abriga criminosos relacionados com a máfia, controla o convívio dos detentos de acordo com uma certa classificação –como não encontrou nenhum outro preso na sua condição, ele segue sozinho. Os familiares italianos o visitam com frequência. Um sobrinho contou recentemente numa entrevista que o tio estava sereno e bem de saúde, o que o advogado confirma.

Em março, em audiência com um juiz, Battisti admitiu pela primeira vez participação nos assassinatos. Steccanella não comenta se a confissão faz parte de uma estratégia de defesa. Meses mais tarde, em setembro, o ex-terrorista divulgou uma carta aos ex-companheiros de armas reconhecendo que a “luta armada não valeu a pena”.

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