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Brasil O Tribunal de Justiça de Santa Catarina deu prazo para um advogado provar as acusações que fez a um desembargador

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Denúncia é o fato mais grave ocorrido no TJ em 125 anos, dizem desembargadores.(Foto: Reprodução)

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina aguarda as explicações sobre o caso do advogado que acusou um desembargador de cobrar propina por uma decisão favorável. Os desembargadores disseram que a denúncia do advogado Felisberto Córdova é o fato mais grave ocorrido em 125 anos de história do Tribunal de Justiça de Santa Catarina.

Na quinta-feira passada (3), dentro do tribunal, Córdova afirmou que o desembargador Eduardo Gallo tinha recebido uma oferta de propina para dar voto favorável ao réu daquele julgamento e que o desembargador tentou arrancar do escritório dele uma propina maior para mudar de lado, na decisão do caso.

“Eu vou dizer, senhor presidente, que o julgamento que está acontecendo aqui é comprado. Eu estou fazendo uma denúncia. Esse cidadão foi abordado com uma proposta que veio do Rio de Janeiro para receber R$ 500 mil: R$ 250 mil antes, 250 mil depois. E o descarado chegou a mandar para o nosso escritório uma contraproposta que poderíamos cobrir por R$ 700 mil”, disse o advogado.

O desembargador Eduardo Gallo pediu a prisão do advogado: “Eu nunca passei por isso na minha vida. Eu tenho 25 anos de magistratura e requeiro a prisão do advogado.” O Tribunal de Justiça intimou o advogado Felisberto Córdova, que terá cinco dias para apresentar provas da denúncia que fez.

O Tribunal de Justiça também vai intimar o desembargador Eduardo Gallo, que terá cinco dias para apresentar a defesa. O Conselho Nacional de Justiça está acompanhando a investigação e já pediu uma cópia do áudio da sessão onde o advogado fez a denúncia.

Os desembargadores do TJ vão apresentar todos os fatos para que o Ministério Público Estadual apure eventual responsabilidade criminal. O TJ também pediu que a OAB de Santa Catarina apure a conduta do advogado na tribuna.
“Não se pode utilizar uma tribuna para invectivas, para acusações gravíssimas, para desacato a qualquer autoridade“, disse o desembargador João Henrique Blasi.

A OAB apoia o advogado Felisberto Córdova. “Evidentemente, a conduta do advogado vai ser analisada pela OAB. O fato é que as denúncias, o advogado tem o direito de fazer essas denúncias, indiscutivelmente precisam ser apuradas e investigadas, e se descobrir a verdade”, afirmou o presidente da OAB/SC, Paulo Brincas.

O que dizem os citados

O advogado Felisberto Córdova disse que mantém a acusação e que vai apresentar as provas no prazo determinado pelo Tribunal de Justiça. O desembargador Eduardo Gallo afirmou que vai apresentar a defesa na terça-feira (8) e negou que tenha tratado de propina. (AG)

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