Terça-feira, 13 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 4 de agosto de 2018
Preocupado com a projeção de altos índices de abstenção nas urnas em outubro, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) fará campanha convocando os eleitores a votar. O tema não está entre os que a lei obriga o tribunal a divulgar e será a primeira vez que receberá atenção.
Conforme a Coluna do Estadão, do jornal O Estado de S.Paulo, as eleições suplementares em 2018 acenderam o alerta. No segundo turno para a escolha do governador do Tocantins, em junho, 51% votaram em branco, anularam ou nem sequer compareceram.
As peças publicitárias do TSE serão baseadas em frase do presidente da Corte, Luiz Fux: “Se você não escolher, alguém escolherá por você”. As peças de rádio, TV e internet estão em fase de aprovação. Devem ir ao ar até meados de agosto, quando termina o mandato de Fux.
O TSE está em tratativas com o Google para a gigante da internet inclua no seu aplicativo de assistente virtual o serviço de lembrete da data da votação, do local, e dos documentos necessários.
A abstenção também é preocupação de partidos do centro. A ausência favorece candidaturas dos extremos, que têm maior facilidade em convocar a militância. O PRB, por exemplo, estuda lançar nas redes sociais a campanha “Eu vou votar”.
Dentro da média
O prognóstico de uma eleição especialmente marcada pelo descrédito com a política e as instituições ainda não se concretizou, pelo menos nas pesquisas de intenção de votos.
De acordo com um levantamento feito pela revista Exame com dados doa pesquisa Datafolha, o volume de pessoas que declaram votar em branco, nulo ou que ainda não decidiram seus votos está dentro da média histórica do período da redemocratização, pelo menos quando o ex-presidente Lula está presente nos cenários de pesquisas.
Para o cientista político do Insper Fernando Schüller, isso indica que o nível de abstenções também não deve ficar fora da média dos últimos sete pleitos.
A proporção significativa de eleitores que declaram voto nulo ou branco não é anormal para o período, porque, para os brasileiros, ainda não chegou a hora de conhecer os candidatos a fundo.
Fernando Schüller chama a atenção para o fato de que desde fevereiro os resultados das pesquisas não têm mostrado alterações significativas entre si, especialmente por causa de uma característica da cultura política contemporânea: a de deixar a tomada de decisão para a última hora.
“Existe hoje uma overdose de informação, uma certa instabilidade política. Então, o eleitor, até para se proteger, acaba adiando o momento de decisão para quando a campanha começa na televisão”, explica. “A decisão é tomada nas duas semanas finais”, disse o cientista político à Exame.
E, no momento da campanha, tudo pode mudar. Se por enquanto o que vale são as redes sociais e a sensação difusa de revolta, depois que a campanha começar, outros fatores começam a ganhar peso, como as alianças partidárias, o tempo de propaganda eleitoral e o dinheiro que o candidato tem à disposição.
Schüller explica que uma eleição muito apertada, equilibrada, acaba sendo um incentivo para que os eleitores compareçam às urnas.
“É fácil criar a ilusão de que o seu voto conta, individualmente, quando três ou quatro candidatos têm chance real de ir para o segundo turno, por exemplo. A pessoa vai defender seu candidato, essa ideia é mobilizadora”.
E esse é exatamente o cenário que se delineia nesta eleição, segundo o cientista político. Há mais opções de candidatos no cardápio, além de todo um nicho que não tinha representação desde 1989, que são os eleitores conservadores que passaram a se sentir contemplados pelo deputado federal Jair Bolsonaro (PSC).
O fim da era da polarização entre PT e PSDB e a ruptura para um modelo de pulverização, no qual há vários candidatos com propostas diversas, completa os argumentos que mostram que a eleição é menos atípica do que parece.
Portanto, não é que o número de abstenções vá diminuir nesse ano. O que acontece é que, havendo o potencial de que essa taxa crescesse devido ao sentimento de descrença com as instituições, a proporção deve se manter dentro da média, de acordo com o especialista.
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