Sábado, 20 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 1 de julho de 2023
A obesidade atinge 17,1% dos jovens de 18 a 24 anos no Brasil. A taxa corresponde a um impressionante aumento de 90% em comparação com o ano anterior, quando 9% dessa população tinha índice de massa corporal (IMC) igual ou maior que 30 kg/cm². O dado alarmante está no Covitel 2023, Inquérito Telefônico de Fatores de Risco para Doenças Crônicas Não Transmissíveis em Tempos de Pandemia.
“Os dados da Vigitel já mostravam que população está cada vez mais em risco porque ela come mal, bebe mais e não faz atividade física e uma hora a conta chega. Mas não esperávamos esse aumento de 90. É algo que nos chamou muito a atenção. Esse é um jovem que passou o fim da sua adolescência, que é um momento de muita interação, na pandemia. Em vez disso, ele estava dentro de casa”, diz Luciana Vasconcelos Sardinha, gerente sênior de DCNT (sigla para Doenças Crônicas Não Transmissíveis) da Vital Strategies.
Sardinha chama a atenção para os hábitos de vida pouco saudáveis dessa população, o que contribui para o excesso de peso. O levantamento, realizado pela Vital Strategies, organização global de saúde pública, e pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), mostrou que:
— 32,6% dos jovens de 18 a 24 anos relataram episódio recente de consumo abusivo de álcool;
— Essa é a faixa etária que menos consome frutas, verduras e legumes e a que mais consome refrigerante ou sucos artificiais;
— Têm alto nível de sedentarismo: apenas 36,9% praticam os 150 minutos semanais recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS);
— São líderes em tempo de tela: 76,1% utilizam dispositivos como celulares, tablets ou televisão três horas ou mais por dia para lazer;
— Cerca de metade não dorme a quantidade de horas recomendadas para a idade.
Os efeitos destes hábitos pouco saudáveis tendem a se agravar com o tempo, mas os problemas de saúde já começam a aparecer: 8,2% dos jovens de 18 a 24 anos, o que corresponde a 1,4 milhão de pessoas, têm hipertensão e 2,2% ou 750 mil jovens têm diabetes.
A saúde mental também está comprometida com 31,6% dos brasileiros com ansiedade e 14,1% com depressão.
“Precisamos lembrar que os jovens são uma força econômica para o país e isso representará um grande problema. Se continuar assim, teremos uma população de obesos, com doenças crônicas não transmissíveis. Além disso, tem a questão da saúde mental, que é preocupante. Precisamos de uma política pública de estado com foco nessa população para evitar problemas na economia e também no sistema de saúde”, avalia Sardinha.
A pesquisa ouviu 9 mil brasileiros de todas as regiões do Brasil, incluindo interior e capitais. O objetivo do levantamento é trazer um retrato da magnitude do impacto dos principais fatores de risco para doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) na população adulta brasileira (18 anos ou mais). O questionário trazia perguntas sobre percepção geral de saúde, prática de atividade física, hábitos alimentares, saúde mental e prevalência de hipertensão arterial e diabetes, além de consumo de álcool e de tabaco.
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