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Saúde Obesidade: é necessário focar na mudança de hábitos do paciente

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Associação reforça que os medicamentos não devem ser usados de forma isolada. (Foto: Reprodução)

A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) divulgou uma nova diretriz sobre o uso de medicamentos contra a obesidade, entre eles liraglutida, semaglutida e tirzepatida.

De acordo com o endocrinologista Fernando Gerchman, que integra o Departamento Científico da Abeso e é coordenador do documento, a última diretriz havia sido publicada em 2016 e não era focada especificamente no manejo da obesidade, embora incluísse recomendações de tratamento farmacológico. Além disso, nesse meio tempo, houve um aumento significativo na quantidade de dados científicos e estudos adequados sobre o tratamento da doença, o que motivou a atualização das recomendações científicas.

O material, elaborado por endocrinologistas, clínicos-gerais e nutricionistas, reúne 32 recomendações e reforça que os medicamentos não devem ser usados de forma isolada. A orientação é que o tratamento esteja sempre associado a mudanças no estilo de vida baseadas em três pilares: aconselhamento nutricional, atividade física e treinamento de força.

Na alimentação, a prioridade são alimentos in natura ou minimamente processados, com redução de ultraprocessados e bebidas açucaradas. Para atividades físicas, a recomendação é de 150 a 300 minutos semanais de atividade aeróbica moderada ou 75 a 150 minutos de atividade intensa, combinados com exercícios resistidos e alongamentos.

Já o treinamento de força visa a minimizar a perda de massa muscular durante o emagrecimento e é especialmente importante para idosos ou pessoas em risco de sarcopenia. “Uma mudança importante é que, antigamente, recomendávamos a mudança no estilo de vida e só iniciávamos o tratamento farmacológico se a perda de peso não ocorresse. Agora, o manejo farmacológico já é indicado logo no início do tratamento”, diz Gerchman. “Mas obviamente que o tratamento é personalizado, vai variar de paciente para paciente.”

Essa é outra recomendação do material: o tratamento personalizado. A diretriz reforça que não existe um modelo único de intervenção e as orientações nutricionais e de exercícios devem ser adaptadas a preferências, condições clínicas e contexto socioeconômico de cada paciente.

Outro destaque é a recomendação sobre quem deve usar os medicamentos. O tratamento é indicado para pessoas com índice de massa corporal (IMC) igual ou acima de 30 kg/m², ou a partir de 27 kg/m², quando há condições associadas, como hipertensão, diabete, apneia do sono e artrose, diz Gerchman. Mesmo pacientes com IMC considerado normal ou com sobrepeso leve podem ser tratados se houver acúmulo de gordura abdominal acompanhado de complicações. Isso porque o IMC é um indicador limitado: ele não mede onde a gordura está concentrada; e o excesso na região abdominal é, por si só, um fator de risco para doenças graves.

A diretriz recomenda que o tratamento comece cedo, já que a obesidade e suas complicações tendem a se agravar com o tempo. Ela indica que, sempre que possível, devem ser priorizados os medicamentos de maior potência, como semaglutida (Wegovy) e tirzepatida (Mounjaro), de impacto clínico mais significativo.

Quando o uso dessas opções não for viável por custo, disponibilidade ou intolerância, a escolha deve recair sobre fármacos de menor potência, como liraglutida, sibutramina, naltrexona com bupropiona ou orlistate.

Se a resposta a um único medicamento for insuficiente, o médico pode combinar remédios com mecanismos de ação diferentes. O uso prolongado também é recomendado para manter o peso perdido, já que a interrupção frequentemente leva à recuperação dos quilos. O tratamento farmacológico é contraindicado para mulheres grávidas, que estejam amamentando ou tentando engravidar. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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