Sexta-feira, 03 de abril de 2026
Por Redação O Sul | 30 de março de 2026
A Força Aérea Brasileira (FAB) está investigando a explosão do motor de um avião da Delta Airlines após a decolagem do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, na noite de domingo (28). A aeronave, um Airbus A330-300, transportava 272 passageiros e 14 tripulantes e tinha como destino a cidade de Atlanta, nos Estados Unidos. Apesar do susto, o avião pousou em segurança e ninguém ficou ferido.
A decolagem ocorreu às 23h49 e, poucos segundos depois, houve duas explosões no motor do lado esquerdo. Parte do material chamuscado caiu no gramado ao lado da pista e provocou um incêndio em uma área de mata.
O piloto declarou “mayday” e acionou os bombeiros do aeroporto. Todo o voo durou cerca de nove minutos e 12 segundos, segundo a plataforma Flightradar24. Em poucos minutos, o fogo foi extinto.
A causa oficial do incidente será determinada pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). Especialistas em segurança de voo, no entanto, apontam algumas hipóteses.
Entre as principais delas estão a ingestão de objetos ou fauna (quando algo é sugado pela turbina), falhas em componentes, como as pás do motor, por defeito de fabricação ou manutenção, e mau funcionamento nos sistemas operacionais da aeronave.
Segundo o especialista em gerenciamento de risco Gerardo Portela, dados históricos do Cenipa mostram que a entrada de objetos estranhos está entre as causas mais frequentes desse tipo de ocorrência.
“Às vezes, têm aeronaves ou carro de transporte que deixam cair alguma coisa – até um parafuso. Na hora que o avião está ganhando velocidade, pode passar com a roda, levantar aquele objeto e pode entrar dentro da turbina, ficar alojado e, nos primeiros minutos, acontecer o que aconteceu”, explica Portela.
Outra possibilidade é a quebra de uma palheta da turbina. “Também pode haver uma falha operacional do sistema de compressão, como o chamado ‘compressor stall’ (estol de compressor), que provoca um desequilíbrio: passa combustível, mas não há ar suficiente para a combustão”, afirma Portela.
Apesar das imagens impressionantes, o especialista em segurança de voo Roberto Peterka afirmou à GloboNews que o risco para passageiros e tripulação é reduzido, já que existem protocolos rigorosos para esse tipo de situação.
“Então não podemos considerar como algo catastrófico. Houve uma emergência, sem dúvida, porém perfeitamente controlável dentro dos parâmetros de segurança estabelecidos”, disse.
Além disso, ele destacou que aeronaves comerciais são projetadas para voar com apenas um motor em funcionamento, o que garante segurança mesmo em casos de falha. Segundo Portela, o avião consegue se manter estável e realizar um pouso de emergência mesmo com uma das turbinas inoperante.
“Basta um motor estar funcionando que é possível conduzir a aeronave com segurança até um pouso de emergência, sem problemas maiores. Ela é projetada para isso (…) O leigo pode imaginar que, com uma turbina só, o avião vai inclinar. Mas a aerodinâmica da aeronave é projetada justamente para compensar isso”, explica.
Em situações de emergência, é comum que aviões permaneçam no ar por mais tempo para reduzir o peso antes do pouso, seja por meio da queima de combustível ou do chamado alijamento — quando o combustível é descartado em uma área segura.
Portela explica que a decisão de gestão do combustível depende de cada caso. Pode haver queima em voo, alijamento ou pouso imediato. Tudo vai depender do peso da aeronave, da urgência da situação e dos riscos envolvidos, como a possibilidade de incêndio.
O piloto de linha aérea Rafael Santos afirma que, neste caso, a gravidade da ocorrência exigiu um retorno rápido. “Foi uma situação diferente, com fogo intenso no motor seguido de explosão. Por isso, o piloto retornou imediatamente”, disse.
Segundo ele, em emergências como esta, o procedimento padrão pode ser encurtado. “Normalmente, temos cerca de 25 minutos para executar todos os procedimentos antes do pouso. Neste caso, a aeronave pousou acima do peso máximo permitido, o chamado ‘overweight landing’, porque a situação exigia rapidez. O importante é que o avião chegou ao solo com segurança.”
Santos destaca que pilotos são treinados de forma rigorosa para lidar com falhas graves em motores. Segundo ele, os profissionais treinam em simuladores avançados, que reproduzem fielmente as condições reais. O objetivo é mitigar o risco inerente à aviação através de treinamento frequente e profissional.
“O treinamento é específico para situações como fogo e falha severa no motor. Inclusive, há simulações de cenários extremos, como a perda completa do motor”, afirma.
Segundo ele, os exercícios são feitos em simuladores avançados que reproduzem com fidelidade as condições reais de voo.
“O simulador é extremamente complexo e simula quase tudo o que acontece na prática — exceto a fumaça. Esse treinamento é feito pelo menos duas ou três vezes por ano, com avaliação rigorosa. Isso reduz muito os riscos na aviação.”
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