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Mundo ONU calcula que mais de 300 crianças foram retiradas do Afeganistão sem a companhia dos pais

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Diretora do Unicef chama a atenção para a situação de vulnerabilidade dos menores retirados nessas condições. (Foto: Reprodução)

Desde que a milícia talibã retomou o poder no Afeganistão, em meados de agosto, centenas de crianças foram separadas de suas famílias e retiradas do país sem a companhia dos pais, em meio ao caos instalado. Um alerta divulgado nesta terça-feira (7) por representantes das Organização das Nações Unidas (ONU) estima que esse número seja superior a 300.

“Espera-se que esse contingente seja ainda maior, após os esforços contínuos de identificação”, ressaltou por meio um comunicado oficial a diretora-geral do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Henrietta Fore. Ela expressou preocupação com o bem-estar e segurança dos menores desacompanhados.

Muitos dos pequenos afegãos acabaram separados de suas famílias quando dezenas de milhares de pessoas se aglomeraram no aeroporto da capita, Cabul, na tentativa desesperada de deixar o país antes que as forças dos Estados Unidos concluíssem sua debandada, no final de agosto.

Nos últimos dias, o Exército norte-americano transportou por via aérea mais de 123 mil pessoas do aeroporto da cidade, incluindo cidadãos dos Estados Unidos e intérpretes que apoiaram a presença estrangeira, iniciada em 2001. Devido ao risco de retaliações internas por parte dos talibãs, esses indivíduos foram considerados prioritários para obtenção de um visto especial de imigração.

Além dos próprios Estados Unidos, algumas crianças foram embarcadas sozinhas em voos para a Alemanha, Catar e outros países, detalhou a dirigente do Unicef.

Vulnerabilidade ainda maior

“Não quero nem imaginar como aquelas crianças devem ter ficado quando de repente se viram sem seus parentes no meio da crise caótica do aeroporto, ou quando embarcaram em um voo de evacuação”, comentou Henrietta. Ela chama a atenção para o fato de que as crianças separadas são ainda mais vulneráveis.

“É vital identificá-las rapidamente e que estejam seguras durante os procedimentos de busca e reunificação familiar”, acrescentou. “Todas as partes devem priorizar o melhor interesse das crianças e protegê-las de abusos, negligência ou violência”.

Atualmente, o Unicef oferece apoio técnico aos governos que acolheram crianças evacuadas e ajuda a cadastrar os desacompanhados, localizar suas famílias e tentar reuni-las. Essa agência da ONU enfatiza a importância de se fornecer temporariamente “cuidados especiais e seguros” a todas essas crianças desacompanhadas, enquanto tais procedimentos são realizados.

Além de apontar a necessidade de reunificação familiar, destaca a necessidade de proporcionar a essas crianças um ambiente familiar nos países de acolhimento, além de permitir que fiquem junto de adultos de confiança. Isso, é claro, se tiverem deixado o país de origem junto com eles.

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