Quinta-feira, 07 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 7 de maio de 2026
A operação da Polícia Federal (PF) que apura suspeitas de irregularidades nas relações do senador Ciro Nogueira (PP-PI) com Daniel Vorcaro é vista por investigadores e autoridades com acesso às investigações como uma pressão extra para que a delação do dono do Banco Master apresente novos e robustos fatos para ser validada pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
O entendimento dessas pessoas é de que a Polícia Federal tem conseguido avançar bem nas apurações sobre irregularidades relacionadas ao banco sem precisar de eventuais elementos apresentados na colaboração de Vorcaro.
O ex-banqueiro foi transferido no dia 19 de março do Presídio Federal de Brasília para a Superintendência da PF no Distrito Federal, local com melhores condições para cumprimento da prisão preventiva (sem tempo determinado), para negociar a delação.
Desde então, houve duas novas fases da operação Compliance Zero. A primeira delas, em 16 de abril, prendeu o ex-presidente do BRB (Banco de Brasília) Paulo Henrique Costa.
A segunda, nessa quinta (7), teve como principal alvo Ciro Nogueira, o presidente do PP e foi ministro da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro (PL) – até o momento, a fase com maior investida sobre a classe política.
O advogado de Ciro Nogueira, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, disse em nota que a defesa “repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar”.
Tanto essas ações como outras medidas tomadas pela PF até o momento sinalizam que Vorcaro terá de apresentar elementos de prova que atinjam novos suspeitos, além da devolução de bilhões em recursos e pagamento de multa.
De acordo com a coluna da jornalista Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, Mendonça afirmou a interlocutores com quem mantém diálogo frequente que não pretende homologar a proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro nos termos em que ela está se apresentando.
Em nota, o gabinete do ministro afirmou que o magistrado tem sido “consistente e inequívoco” sobre delações: “(i) a colaboração premiada é um ato de defesa, um direito assegurado ao investigado; (ii) para que produza efeitos, a colaboração deve ser séria e efetiva; e (iii) as investigações devem seguir seu curso regular, independentemente da existência ou não de proposta de colaboração”.
“Cabe esclarecer, ainda, que o ministro até o presente momento, não teve acesso ao teor do material entregue pela defesa (de Vorcaro) à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República. Quaisquer afirmações em sentido contrário não refletem a realidade dos fatos e carecem de fundamento”, diz ainda o comunicado.
Um ponto ressaltado por pessoas que acompanham a investigação é que a fase da operação deflagrada nesta quinta não se baseou em nenhum depoimento ou colaboração de investigados, e que isso é uma amostra de que a PF tem material que prescinde de qualquer necessidade de acordo.
Além das operações, na última semana a PF pediu ao ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), para analisar a possibilidade de transferir novamente Vorcaro ao presídio federal.
Segundo pessoas próximas ao caso, o pedido foi feito justamente porque o ex-banqueiro estava demorando para apresentar o material.
Uma versão acabou sendo entregue pela defesa na quarta-feira (7) à PF e à PGR (Procuradoria-Geral da República), com anexos que tratam de episódios diferentes de irregularidades cometidas pelo ex-banqueiro e por outras pessoas, com detalhes da situação, nomes dos envolvidos e a apresentação por meio de provas.
Essa é só uma primeira etapa. A defesa de Vorcaro e os investigadores agora passarão a analisar o que foi proposto antes de passar a discutir sobre redução de pena ou o regime de pena à qual ele deve ser submetido. Até o momento, o entendimento de autoridades é de que ele não deve receber perdão judicial.
Investigadores esperam que Vorcaro apresente detalhes sobre os esquemas nos quais esteve envolvido, além de indicar os meios para o ressarcimento dos prejuízos causados.
Pessoas próximas sugeriram que ele não estaria disposto a envolver magistrados do STF, o que desagradou os investigadores. Posteriormente, seus advogados afirmaram que ele não pouparia ninguém, o que destravou a fase inicial da negociação. (Com informações da Folha de S.Paulo)
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