Domingo, 09 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 12 de abril de 2018
A PF (Polícia Federal) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (12), no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Distrito Federal, uma operação contra suspeitos de fraudar os fundos de pensão Postalis (dos Correios) e Serpros (da Serpro – empresa pública de tecnologia da informação). Os agentes cumpriram dez mandados de prisão e 21 de busca e apreensão. A ação, batizada de Operação Rizoma, é um desdobramento da Lava-Jato.
Os mandados foram expedidos pelo juiz Marcelo Bretas, responsável pela Operação Lava-Jato no Rio de Janeiro. No início da manhã, a PF confirmou a prisão do empresário Arthur Pinheiro Machado, que já foi dono de corretora e tem mais de cem empresas ligadas ao CPF dele. Machado foi preso em São Paulo. Ele criava fundos de investimentos, e pessoas ligadas ao PT e PMDB indicavam os gestores desses fundos. O esquema funcionava através de dois doleiros do ex-governador Sérgio Cabral (MDB), que ajudavam a trazer dinheiro em espécie oriundo do esquema de volta ao Brasil.
Por volta das 6h, os agentes chegaram em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, para cumprir mandado de prisão contra Marcelo Sereno, economista que é ligado há muitos anos ao PT. Ele já foi assessor especial do Ministério da Casa Civil durante o governo Lula, na época que José Dirceu era ministro da Casa Civil. Sereno já exerceu cargo de confiança na refinaria de Manguinhos e foi secretário de Desenvolvimento, Indústria e Petróleo da prefeitura de Maricá (RJ) durante o governo de Washington Quaquá.
Os agentes também cumpriram mandado contra Ricardo Siqueira Rodrigues, conhecido como Ricardo Grande, em um condomínio na Zona Oeste. Ele é apontado pela PF como o maior operador de fundos de pensão no País. Também há mandado de prisão contra Patrícia Iriad, funcionária da empresa de Machado.
Em Brasília, a PF foi à casa de Milton Lira, que é apontado em várias investigações como operador do MDB no Senado e operador em vários esquemas, a maioria envolvendo fundos de pensão, principalmente o Postalis. Ele é alvo de investigações que estão no STF (Supremo Tribunal Federal) e na Lava-Jato. Milton Lira também aparece na delação de Nelson Mello da Hypermarcas, em 2016. O depoimento conta que ele tinha relações diretas com o MDB no Senado, principalmente o senador Renan Calheiros, que não é alvo da operação desta quinta-feira.
A Operação Rizoma investiga os crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção através de fraudes que geraram prejuízos aos fundos de pensão. Dos dez mandados de prisão, oito foram cumpridos no Rio de Janeiro, um em São Paulo e um no Distrito Federal.
Esquema
As investigações apontam que valores oriundos dos fundos de pensão eram enviados para empresas no exterior gerenciadas por um operador financeiro brasileiro. As remessas, apesar de aparentemente regulares, referiam-se a operações comerciais e de prestação de serviços inexistentes. Em seguida, os recursos eram pulverizados em contas de doleiros também no exterior, que disponibilizavam os valores em espécie no Brasil para suposto pagamento de propina aos gestores desse fundo.
O nome da operação, Rizoma, é uma espécie de caule que se ramifica sob a terra, tratando-se de uma alusão ao processo de lavagem de dinheiro e ao entrelaçamento existente entre as empresas investigadas.
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