Sexta-feira, 23 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 23 de janeiro de 2018
A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffman (PR), declarou na segunda-feira em Porto Alegre que a Operação Lava-Jato e outras investigações anticorrupção em curso no País “não levam em conta bases legais” e são responsáveis por mortes, incluindo a da ex-primeira dama Marisa Letícia Lula da Silva, que morreu em decorrência de um AVC (acidente vascular cerebral) em fevereiro de 2017.
“São responsáveis por mortes sim. São responsáveis pela morte do Cancellier (Luiz Carlos Cancellier de Olivo, ex-reitor da UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina), são responsáveis pela morte da dona Marisa”, disse a petista, que é ré em um processo da Lava-Jato no STF (Supremo Tribunal Federal).
O então reitor da UFSC se suicidou após ter sido preso pela Polícia Federal na Operação Ouvidos Moucos, que não tem relação com a Lava-Jato. O único ponto em comum é que a delegada Érika Mialik Marena, responsável pela prisão de Cancellier, já foi coordenadora da força-tarefa da Lava-Jato em Curitiba (PR).
Marisa Letícia respondia a duas ações penais decorrentes das investigações contra o ex presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Após o falecimento, o juiz Sergio Moro decretou a punibilidade extinta em ambos os processos.
As declarações de Gleisi foram dadas em um ato de juristas e intelectuais em apoio a Lula, em Porto Alegre. Na semana passada, repercutiu mal a fala da senadora ao site Poder 360 de que, para prender o ex-presidente, “vão ter que matar gente”. Lula terá seu recurso contra a condenação por Sérgio Moro a nove anos e meio de prisão em um processo da Lava Jato julgado nesta quarta feira (24), pelo TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), sediado na capital gaúcha. O caso envolve um triplex no Guarujá, supostamente dado ao petista e reformado pela empreiteira OAS.
“Nós não ficaremos quietos, será luta todos os dias. Nós vamos fazer luta, não pensem eles que, porque somos pacíficos, seremos passivos” disse Gleisi, referindo-se a uma possível condenação de Lula em segunda instância.
Rapidez com que o julgamento foi marcado
Gleisi Hoffmann disse que o Poder Judiciário quis “criar um fato político” ao marcar o julgamento da apelação do chamado caso do triplex no qual o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é réu, para o dia 24 . O PT e a defesa de Lula criticaram a suposta rapidez com que o julgamento foi marcado.
“Na realidade, o Judiciário pretendia, em marcando [o julgamento] para o dia 24, criar um fato político, que era dizer que Lula não poderia ser candidato, e espalhar isso na sociedade brasileira”, afirmou a senadora a jornalistas antes de ato público no Parque da Redenção.
Lula será julgado em segunda instância pela 8ª Turma do TRF-4. Uma condenação no tribunal pode torná-lo inelegível pelos critérios da Lei da Ficha Limpa e até mesmo levá-lo à prisão. O petista tem liderado pesquisas de intenção de voto para presidente nas eleições deste ano.
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