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Por Redação O Sul | 8 de fevereiro de 2017
Os ataques de Donald Trump e seu governo às empresas de comunicação estão se tornando rotina: no mais recente episódio, na segunda-feira à noite (6), o presidente acusou os jornais de, “por alguma razão”, não cobrirem direito os ataques terroristas. A novidade é a reação da mídia americana, que tem respondido com mais velocidade e força às críticas da Casa Branca. Se há de fato uma guerra pela informação, como alguns acreditam, a imprensa dá mostras de que também irá à luta.
“Os radicais islâmicos terroristas estão determinados a atacar nossa pátria, como fizeram no 11 de Setembro (de 2001), como fizeram em Boston, Orlando, em San Bernardino e em toda a Europa”, disse Trump. “Em toda a Europa estão acontecendo [ataques terroristas]. Em muitos casos, a imprensa muito, muito desonesta não quer relatá-los. Eles [a imprensa] têm suas razões, e vocês sabem disso.”
Pressionado, Sean Spicer, porta-voz da Casa Branca, afirmou que em muitos casos havia, sim, cobertura da imprensa, mas não de forma suficiente. Ele citou a publicação de 78 ataques em todo o mundo — não apenas na Europa, como havia dito Trump, mas em muitos episódios no Oriente Médio — ocorridos entre setembro de 2014 e setembro de 2016 que “não receberam a atenção da mídia que eles mereciam”. Entre os episódios listados, há alguns que dominaram o noticiário de todo o planeta, como os ataques de Paris, Bruxelas, Orlando, San Bernardino (a cidade californiana foi grafada de forma errada pelo governo) e na Tunísia, com centenas de mortos. Outros episódios foram tentativas, que não causaram mortes.
Diversos veículos americanos e europeus, como os jornais “Washington Post”, o “New York Times” e o “Guardian”, além das redes CNN, CBS e a agência de notícias AP reagiram. Em poucas horas, publicaram a lista completa de links com as notícias que comprovam a ampla cobertura jornalística dos eventos. Alguns destes episódios, lembraram, foram manchetes por dias seguidos. E muitos criticaram a falta de clareza de Trump, que deixou suspeitas no ar ao afirmar que as empresas de notícias tinham “suas razões”. (AG)
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