Sexta-feira, 12 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 14 de setembro de 2017
Os bancos credores querem uma troca rápida e definitiva na presidência da JBS, após a prisão de Wesley Batista nesta quarta-feira (13).
Se isso ocorrer, os Batistas poderão deixar o comando do império que construíram. Seria a primeira vez desde a fundação, em 1953, que a família não estaria à frente de decisões estratégicas.
Segundo executivos dos bancos, a presença dos irmãos, que já era vista com restrição, passou a ser interpretada como um risco para um bom desfecho da venda de empresas do grupo, depois que a Polícia Federal prendeu Wesley alegando que o executivo poderia fugir do país.
A venda dos ativos é prioridade para os bancos, porque se tornou a principal garantia de que a JBS vai honrar a renegociação de cerca de R$ 20 bilhões em dívidas feita no mês passado. Até agora a empresa tem pago seus compromissos.
A reestruturação do grupo vinha tranquilizando os credores. Nas últimas semanas, a J&F, holding dos negócios da família, encontrou compradores a bons preços para Alpargatas, Vigor e Eldorado, o que ajudaria a levantar até R$ 14 bilhões nos próximos meses.
No entanto, ainda não entrou dinheiro desses negócios no caixa porque os pagamentos estão atrelados ao acordo de leniência da J&F com o Ministério Público Federal, e a cada reviravolta cresce a insegurança em relação à efetiva conclusão dos negócios.
O pior cenário para o grupo hoje seria uma revisão ou anulação do acordo de leniência.
O futuro desse acordo depende da decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a colaboração premiada dos Batista, que está em xeque desde que PGR (Procuradoria-Geral da República) acusou Joesley de omitir informações.
Divergências entre a defesa dos delatores da JBS e integrantes da PGR sobre o tempo de prisão que terá de ser cumprido em regime fechado emperram a repactuação do acordo de delação de Joesley Batista e executivos da empresa, segundo a reportagem apurou.
A tendência hoje é que o acordo seja rescindido, ou seja, que os delatores percam todos os benefícios concedidos em troca das informações que prestaram. O martelo deve ser batido ainda nesta semana, antes do término do mandato do procurador-geral, Rodrigo Janot, no domingo (17).
O principal benefício acordado havia sido a imunidade penal dos delatores –o Ministério Público abriria mão de denunciá-los à Justiça criminalmente, o que rendeu uma série de críticas a Janot desde que o acordo veio a público, em maio.
Conforme a reportagem apurou com pessoas ligadas às tratativas, há uma distância grande entre o tempo de prisão pretendido por procuradores e o que a defesa da JBS está disposta a negociar.
Em reunião de emergência nesta quarta (13), o conselho de administração da JBS preferiu não indicar um presidente interino para o lugar de Wesley. A avaliação da maior parte do colegiado, com exceção dos representantes do BNDES, é que uma mudança agora seria precipitada.
A tendência, no entanto, é que a indefinição não perdure por muito tempo. O mercado parece ver com bons olhos uma troca. As ações da JBS subiram 2,35% para R$ 8,27, apesar da prisão de Wesley -no ano, recuam 27,5%.
A empresa já vinha discutindo possíveis sucessores, mas para uma transição organizada que poderia durar até 180 dias. Agora o processo deve acelerar. Entre os cotados para o cargo, estão Gilberto Tomazoni, Tarek Farahat e Gilberto Xandó, executivos que atuam no grupo. (Folhapress)
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