Segunda-feira, 21 de Setembro de 2020

Porto Alegre

Notícias Os casos de sífilis registram aumento no Brasil

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Entre gestantes, cresceu de 10,8 casos por 1000 nascidos vivos em 2016 para 17,2 casos a cada 1000 nascidos vivos em 2017. (Foto: Divulgação)

Dados do Boletim Epidemiológico de Sífilis do Ministério da Saúde, em 2018, apontam aumento no número de casos de sífilis no Brasil. A taxa de detecção da doença passou de 44,1 a cada 100 mil habitantes em 2016, para 58,1 casos a cada 100 mil habitantes em 2017. Conforme a Obstetra e Coordenadora da Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) de Passo Fundo, Dra. Giovana Donato, os índices de sífilis podem ser considerados alarmantes no país. “Muitas DSTs estão com aumento das taxas em todo o mundo e no Brasil, e a sífilis é uma delas”, pontua.

A infecção por sífilis, uma doença sexualmente transmissível (DSTs), pode colocar em risco não apenas a saúde do adulto, como também pode ser transmitida para o bebê durante a gestação. Neste caso, “a sífilis congênita ocorre no feto, quando a mãe está infectada, através da passagem das bactérias pela placenta, denominada transmissão vertical”, esclarece a obstetra. Para aumentar a detecção no acompanhamento pré-natal de rotina, a sífilis é rastreada no primeiro e terceiro trimestres. Além disso, o exame para sífilis é feito nos casos de abortamento nos hospitais e, na gestante, quando chega à maternidade para o parto.

No HSVP, exames e cuidados durante o pré-natal e na hora do parto, são realizados para detectar a doença e prescrever o tratamento. Ainda assim, os números de casos de sífilis registrados no hospital, chamam a atenção. Em 2018, foram registradas 116 notificações de sífilis não especificada, e 82 notificações de sífilis gestante. Neste ano, até o dia 10 de outubro, já são 43 notificações de sífilis não especificada e 56 notificações de sífilis gestante. No Brasil, a população mais afetada pela sífilis são as mulheres, principalmente as negras e jovens, na faixa etária de 20 a 29 anos.

Complicações da sífilis congênita

As complicações da sífilis congênita podem ocorrer durante a gestação ou com o bebê após o nascimento. Nesse caso, se caracterizando como sífilis precoce, quando os sinais e sintomas aparecem até o segundo ano de vida e, após o segundo ano de vida, como sífilis congênita tardia. Conforme a obstetra, são potenciais complicações durante a gestação, “o abortamento, morte fetal, morte neonatal, restrição do crescimento do feto e baixo peso, nascimento prematuro e nascidos com sífilis congênita latente ou com lesões bolhosas de pele por todo o corpo”.

Em 2018, foram 129 notificações de sífilis congênita registradas no HSVP. Somente neste ano, já são 97 notificações. De acordo com a enfermeira do Núcleo de Vigilância Epidemiológica Hospitalar (NVEH) no HSVP, Claudia Deon, “a sífilis gestante possui um número de notificações menor do que as congênitas, pois algumas gestantes já são notificadas no pré-natal”.

Sinais de um paciente com sífilis

A doença é dividida em vários estágios. Conforme explica Giovana, a sífilis primária, tem como sinal inicial, após 10 a 90 dias de contágio, uma úlcera na região genital, anal ou mucosa oral, podendo estar acompanhada de ínguas na virilha. “Esta lesão pode passar sem um diagnóstico preciso, por ser confundida com outras patologias ou pouco valorizada pelo paciente”, ressalta a obstetra. “Desta maneira, os pacientes podem ter sífilis e não ser diagnosticada por muitos anos”, conclui.

Na sífilis secundária, os sinais e sintomas aparecem entre seis semanas e seis meses do aparecimento e cicatrização da ferida inicial. Podem ocorrer lesões de pele que geralmente não coçam, mais comumente nas palmas das mãos e plantas dos pés. “Essas lesões são ricas em bactérias. Febre, mal-estar geral, dor de cabeça e ínguas são outros sintomas”, salienta a doutora.

No caso da sífilis latente, é a fase em que não há sinais ou sintomas e, com o passar dos anos, a doença torna-se crônica. Por fim, há a sífilis terciária, que pode surgir de 2 a 40 anos depois do início da infecção. Segundo Giovana, “há acometimento de diversos órgãos, como coração, vasos sanguíneos, cérebro e ossos, até morte”.

Previna-se

A prevenção para a doença, se dá com o uso de preservativos nas relações sexuais e com o tratamento da gestante. Conforme explica a obstetra, neste último caso de tratamento, pode-se reduzir a transmissão vertical para o feto para 1% a 2%. O diagnóstico pode ser feito através do teste rápido nos serviços de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS), e em amostra de sangue. “Existem ainda outros testes sanguíneos usados, quando há dúvida no diagnóstico”, reforça Giovana.

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