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Brasil Os comentários de uma desembargadora sobre a vereadora Marielle Franco geraram desconforto no Conselho Nacional de Justiça

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No ano passado, Marilia fez acusações infundadas contra a vereadora assassinada Marielle Franco. (Foto: Reprodução)

A avaliação interna no CNJ (Conselho Nacional de Justiça) é que a desembargadora Marília Castro Neves, do TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro), deve ser punida pelos comentários sobre a vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), assassinada na semana passada. Em texto publicado no Facebook, a magistrada afirmou que Marielle, morta a tiros no centro do Rio, era “engajada com bandidos” e “um cadáver tão comum quanto qualquer outro”.

A divulgação de informações falsas sobre a vereadora gerou desconforto entre os conselheiros, responsáveis por julgar processos administrativos disciplinares contra juízes do País. Na terça-feira (20), o corregedor do Conselho Nacional de Justiça, João Otávio de Noronha, determinou a abertura de procedimento para apurar a conduta da desembargadora.

Ao Jornal Nacional, da TV Globo, Marilia Castro Neves alegou ter divulgado “de forma precipitada” informações que circulavam nas redes sociais sobre Marielle Franco. “A conduta mais ponderada seria a de esperar o término das investigações para, então, ainda na condição de cidadã, opinar ou não sobre o tem”, disse a juíza do Rio na entrevista.

Processo no CNJ 

O corregedor do CNJ, João Otávio de Noronha, determinou na terça-feira (20) a abertura de procedimento para apurar a conduta da desembargadora Marília Castro Neves, do TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro). Segundo a Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça, o procedimento é preliminar, investigará os fatos e coletará provas.

Depois, se o corregedor entender que há elementos para abrir um processo contra a magistrada, Noronha pode pedir ao plenário do conselho a instauração de um processo administrativo disciplinar.

Na reclamação ao CNJ, a Associação Brasileira de Juristas pela Democracia afirmou que a postagem tinha “conteúdo misógino e acusações falsas, fato público, notório e amplamente divulgado nos meios de comunicação, sem qualquer prova contra a honra e a dignidade da vereadora morta”.

O PSOL, por sua vez, argumentou ser “é inaceitável que uma desembargadora venha a público fazer afirmações criminosas, enquanto o representante do Poder Judiciário, a desembargadora inspira uma confiança que leva os leitores a acreditar em suas declarações, por mais infundadas que elas sejam”.

Professora com Down

Em outra postagem nas redes sociais, Marilia Castro Neves ironizou a professora Débora Seabra, primeira com síndrome de Down no Brasil.

“Apuro os ouvidos e ouço a pérola: o Brasil é o primeiro país a ter uma professora portadora de síndrome de Down!! Poxa, pensei, legal, são os programas de inclusão social… Aí me perguntei: o que será que essa professora ensina a quem???? Esperem um momento que eu fui ali me matar e já volto, tá?”, postou Maria Castro Neves (veja na imagem acima).

Em resposta, Débora Seabra afirmou: “Eu ensino muitas coisas para as crianças. A principal é que elas sejam educadas, tenham respeito pelas outras, aceitem as diferenças de cada uma, ajudem a quem precisa mais. (…) O que eu acho mais importante de tudo isso é ensinar a incluir as crianças e todo mundo pra acabar com o preconceito porque é crime. Quem discrimina é criminoso.”

Ironia sobre assédio sexual

Segundo o jornal “O Globo”, Marilia de Castro Neves também fez uma publicação, em 2015, na qual ironizou mobilizações contra o assédio sexual e em favor dos direitos das minorias.

“Assédio sexual é o quê? Paquera no trabalho???? Francamente!!!! Será que não temos nada mais importante pelo que lutarmos???? Uma pia de louça para lavarmos???”, publicou a desembargadora à época.

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