Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 4 de janeiro de 2019
Dados pessoais de centenas de políticos alemães, incluindo os da chanceler Angela Merkel, foram publicados online, anunciou o governo nesta sexta-feira, sem especificar a ocorrência do ataque cibernético. A suspeita é de que hackers tenham extraído os dados e postado o material na web. O vazamento, revelado pela televisão pública ARD, inclui detalhes sobre cartões de crédito e números de celulares.
Os dados, publicados em uma conta do Twitter, também mostram endereços, cartas pessoais e cópias de documentos de identidade, segundo a rede pública. O incidente ocorreu no período do Natal, mas só foi reportado nesta sexta-feira.
Todos os grandes partidos da Alemanha — com exceção da legenda de extrema direita AfD — foram afetados, de acordo com a televisão alemã. Uma reunião de emergência do corpo de Defesa nacional do país foi convocada.
“Dados pessoais e documentos pertencentes a centenas de políticos e figuras públicas foram publicados online”, confirmou a porta-voz do governo, Martina Fietz, em entrevista coletiva.
Nenhuma informação sensível do gabinete da chanceler Angela Merkel está entre os dados divulgados, segundo um porta-voz do governo, que confirmou a presença da chanceler entre os alvos.
Em um dos documentos publicados na web pelos hackers, há dois correios eletrônicos de Merkel, assim como um número de fax e um título de carta dirigida a ela.
As Forças Armadas do país não foram afetadas no incidente. A identidade dos hackers e a motivação do vazamento são desconhecidas.
O porta-voz do grupo parlamentar do partido Linke informou que membros da legenda foram alvos do incidente.
“Posso confirmar que houve um incidente”, destacou o porta-voz, segundo quem Dietmar Bartsch, o líder do partido na câmara baixa do Parlamento alemão, está entre os afetados.
O gabinete de segurança de computadores (BSI, na sigla em inglês) afirmou no Twitter que foi “um ciberataque contra políticos” e explicou que estava “investigando intensivamente o assunto com a estreita coordenação das autoridades”.
A ministra alemã da Justiça, Katarina Barley, denunciou “um ataque sério de quem quer sabotar a confiança na democracia e suas instituições”, segundo a agência de notícias alemã DPA.
Caso as autoridades confirmem que a publicação dos dados decorreu da ação de hackers, seria o mais recente de uma série de ataques de alta tecnologia às instituições políticas e figuras públicas da Alemanha. No ano passado, os legisladores disseram que um incidente cibernético violou a rede de computadores do Ministério das Relações Exteriores.
Grupo de extrema direita cria patrulha para “combater violência de imigrantes” em cidade alemã
Um grupo de extrema direita da Alemanha criou um sistema de patrulhamento de ruas após quatro jovens do Afeganistão e do Irã serem presos acusados de ferir um grupo de 12 pessoas em uma rua na cidade de Amberg na noite do último sábado.
O partido de extrema direita NPD, publicou fotos de vários de seus membros vestidos com coletes vermelhos com a logo do novo movimento em uma de suas contas no Facebook.
Os feridos tinham entre 16 e 42 anos e sofreram ferimentos leves, mas um jovem de 17 anos foi levado para o hospital com ferimentos na cabeça. Segundo a imprensa local, os imigrantes tinham entre 17 e 19 anos e estavam bêbados no momento das agressões. Um dos presos tinha o pedido de asilo em andamento e os outros três tiveram seus pedidos rejeitados.
O prefeito de Amberg, Michael Cerny, em entrevista ao jornal local ‘Mitteldeutsche Zeitung’, criticou a ação do grupo e declarou que teme que a situação saia do controle.
“Eu entendo a insegurança que existe em uma parte da população, mas as ameaças de violência e ódio que aumentam nos quatro cantos do país estão indo longe demais”, afirmou.
O caso reaviva o debate sobre a permanência e a solicitação de vistos de imigrantes e refugiados país. Entre 2015 e 2016, mais de um milhão de pessoas pediram asilo na Alemanha.
O ministro do Interior alemão, Horst Seehofer, que apoia uma política pouco flexível de imigração, solicitou que expulsão de requerentes de asilo culpados de crimes e contravenções no país fosse facilitada. Grupos de extrema direita usam posicionamentos como esse para justificar e promover ações anti-imigrantes.
“A população local deve ser protegida com urgência contra essas pessoas que supostamente buscam proteção”, afirmou Katrin Ebner-Steiner, representante de um grupo de extrema direita na Bavária.
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