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Mundo Os Estados Unidos querem que o Brasil aja sozinho no combate ao desmatamento antes de se comprometerem a colaborar

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Uma carta assinada por 19 CEOs de grandes empresas cobra políticas para combate à derrubada irregular da floresta e aponta soluções. (Foto: Divulgação/ Exército Brasileiro)

Os Estados Unidos esperam que o Brasil se prontifique a atacar mais diretamente o desmatamento ilegal que acontece no País, e que as ações brasileiras para combater a crise do clima sejam ambiciosas, disse uma autoridade do governo dos Estados Unidos em uma entrevista coletiva nesta quarta-feira (21).

A ideia dos americanos é só colaborar depois que o Brasil agir sozinho, inicialmente, para que outros países colaborem na conservação e nas políticas para diminuir as emissões de gás carbônico.

Os Estados Unidos organizaram uma conferência que acontecerá de forma virtual entre líderes de países para conversar sobre as políticas de enfrentamento da mudança climática.

Esse evento acontecerá nesta quinta-feira (22) e na sexta-feira (23).

Nesta quarta, véspera do encontro virtual, duas pessoas do governo deram declarações à imprensa, mas sem revelar seus nomes ou cargos. Um deles falou sobre o Brasil.

Ele afirmou que os americanos entendem que o presidente Jair Bolsonaro está ponderando quais devem ser os próximos passos, especialmente nos planos para conter o desmatamento.

Os americanos afirmaram ao governo brasileiro que têm interesse em ver ação imediata, como conter o desmatamento. Segundo eles, é nítido que haverá compromisso global para auxiliar o Brasil. No entanto, se os países não avançarem sozinhos, será difícil para terceiros se envolverem, afirmou ele.

Encontro de cúpula

No encontro, o presidente americano, Joe Biden, deverá anunciar qual é a meta dos Estados Unidos para cortar emissões de gases que aquecem o ambiente.

O encontro de cúpula, segundo o governo americano, servirá para que os EUA mostrem qual será a sua política doméstica. A intenção é também estimular outros países para que também adotem metas mais ambiciosas nas suas políticas de combate às mudanças climáticas.

Os Estados Unidos estabeleceram como meta manter o aquecimento global em 1,5º C.

Serão cerca de 40 países que, juntos, representam uma parte grande das emissões globais (segundo o funcionário do governo americano, de 74% a 80%).

A ideia é discutir, entre outros temas, como parar de cortar florestas, como reduzir o custo de tecnologias que emitem menos gases que aquecem o planeta e como criar financiamento e uma economia em torno dessas metas.

Carta aberta

Dezenas de celebridades do Brasil e dos Estados Unidos, como o ator Leonardo DiCaprio, a estrela pop Katy Perry e o músico Gilberto Gil, divulgaram uma carta na última terça-feira (20) pedindo ao presidente norte-americano, Joe Biden, para não aceitar nenhum acordo ambiental com o presidente Jair Bolsonaro.

Os Estados Unidos estão conversando com o Brasil desde fevereiro a respeito de uma possível colaboração para deter a destruição crescente da floresta amazônica, mas o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse à agência de notícias Reuters que nenhum acordo ficará pronto para a cúpula do Dia da Terra desta semana, organizada por Biden.

O desmatamento disparou na Amazônia no governo Bolsonaro, que relaxou proteções ambientais e defende o desenvolvimento econômico da floresta tropical.

Grupos indígenas e ambientalistas dizem que qualquer acordo com o governo Bolsonaro cria o risco de legitimar uma gestão que está incentivando a destruição ambiental e violações dos direitos humanos.

“Nós apelamos ao seu governo para ouvir o pedido deles (indígenas e ambientalistas) e não se comprometer com nenhum acordo com o Brasil a esta altura”, disseram as celebridades na carta.

Os atores Joaquin Phoenix, Mark Ruffalo, Jane Fonda, Sigourney Weaver, Sonia Braga, Wagner Moura, cineastas como Fernando Meirelles, e músicos como Caetano Veloso e Philip Glass, também assinaram a o documento.

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