Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 11 de abril de 2020
Depois de atingir meio milhão de infectados na noite de sexta-feira, os Estados Unidos superaram a Itália como o país com mais mortos pelo novo coronavírus, atingindo neste sábado mais de 20 mil vítimas, segundo uma contagem da Universidade Johns Hopkins. Apenas no estado de Nova York, epicentro da epidemia no país, são mais de 8 mil mortes, 700 nas últimas 24 horas.
Atualmente, a Itália registra 19.468 mortes relacionadas à doença e 152 mil infectados. Em termos absolutos, o crescimento foi de 4.694 casos e 619 óbitos desde sexta-feira, número diário de mortes mais alto desde 6 de abril. Na Espanha, que ocupa o terceiro lugar, o número de mortos chegou a 16.353.
Apesar dos altos números, Itália e Espanha vêm registrando uma tendência de queda nas últimas semanas. Na sexta-feira, o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, anunciou a extensão da quarentena até 3 de maio, mas algumas atividades comerciais, como livrarias e papelarias, podem reabrir as portas em 14 de abril.
Nos EUA, no entanto, estados como Nova York e Nova Jersey podem já ter superado seus picos de infecções esta semana, mas o pior ainda está por vir para a Flórida e o Texas, cujos cenários devem se agravar até o final do mês segundo um estudo da Universidade de Washington. Na sexta-feira, o país se tornou o primeiro do mundo a ultrapassar 2 mil mortes por Covid-19 em um único dia, com 2.108 óbitos.
Neste sábado, o prefeito de Nova York, Bill De Blasio, anunciou o fechamento de todas as escolas públicas da cidade até o fim do ano letivo e a abertura do novo ano escolar, em setembro. A nova medida afetaria 1,1 milhão de crianças em escolas públicas da maior cidade dos EUA, que deveriam concluir seus cursos no final de junho, mas está sendo contestada pelo governador Andrew Cuomo.
Com o aumento do número de mortes em Nova York, a prefeitura passou a usar valas comuns. Capturadas por drones, imagens mostram fileiras de caixões sendo enterrados por funcionários vestidos com roupas especiais de proteção e máscaras na Ilha de Hart Island, perto do Bronx.
Trump
Adversidades econômicas ou grandes crises nacionais são desafios que alguns presidentes dos Estados Unidos já enfrentaram no caminho para reeleição. Mas lidar com uma grande crise econômica ao mesmo tempo em que se enfrenta uma pandemia é um fenômeno mais raro. É essa a realidade que o presidente americano, Donald Trump, terá pelos próximos sete meses até novembro, quando deve enfrentar o ex-vice-presidente Joe Biden nas urnas.
Não era esse o cenário que Trump esperava. Em fevereiro, a taxa de desemprego alcançava seu patamar mais baixo em 50 anos. O presidente repetia com frequência que a economia estava “melhor do que nunca”.
Agora, a expectativa é que o desemprego cresça dos 3,5% no início do ano para até 20% ou 30%, de acordo com estimativa do Banco central americano em St. Louis. O secretário do Tesouro americano, Steve Mnuchin, negociou com o Congresso um pacote de mais de U$ 2 trilhões para evitar que o desemprego chegue a patamares tão altos. Pesquisa desta semana da Gallup mostra que 7 em cada 10 americanos acreditam que o país está ou em uma recessão ou já em uma depressão.
— O maior problema de Trump agora será o desemprego crescente. – diz Darrell West, cientista político da Brookings Institution. — As pessoas acham que o desemprego estará acima de 15%. Isso é muito alto para um presidente no cargo. Os últimos dois presidentes que estiveram em situações econômicas ruins foram ambos derrotados: Jimmy Carter, em 1980, e George H. Bush, em 1992.
Depois de ter atingido seu pico em 20 anos, de acordo com índice da Gallup, a confiança dos americanos na economia teve uma de suas maiores quedas mensais em março desde que a pesquisa começou. Tanto Democratas quanto Republicanos viram sua confiança diminuir.
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