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Economia Os juros do cheque especial e do cartão de crédito ficaram acima de 300% ao ano

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Os dados foram divulgados pelo Banco Central. (Foto: Agência Brasil)

Os juros do cheque especial e do cartão de crédito terminaram 2019 acima de 300% ao ano, apesar de a taxa básica, a Selic, estar no seu menor patamar histórico (4,5%). A taxa do cheque especial, uma das modalidades de crédito mais caras do país, caiu em dezembro para 302,5% ao ano, segundo dados do Banco Central. As informações são do jornal O Globo.

A queda foi de 10,1 pontos percentuais em relação à cobrada em dezembro de 2018, quando o custo do cheque especial estava em 312,6% ao ano. No mês, o indicador também recuou. Em novembro, a taxa de juros anual do cheque especial estava em 306,6% ao ano.

Na direção contrária, os juros do cartão de crédito na modalidade rotativa- quando o cliente não paga o valor integral da fatura na data de vencimento – cresceram. Em dezembro de 2019, a taxa chegou a 318,9% ao ano, uma alta de 33,5 pontos percentuais frente a dezembro de 2018, quando o custo do rotativo ficou em 285,4% ao ano.

No mês, também houve nova alta de juros no cartão rotativo. Em novembro, o custo anual estava em 318,3%, informou o BC.

O aumento do custo do cartão de crédito ocorre num ambiente em que a taxa básica de juros, a Selic, está em sua mínima histórica, 4,5%. Só em 2019, a queda da Selic foi de 2 pontos percentuais.

Segundo o chefe adjunto do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Renato Baldini, o custo que se verifica hoje nos juros médios do cartão ainda é menor que os custos verificados antes de abril 2017, quando passaram a valer novas regras para a modalidade: desde então, o cliente não pode ficar mais de 30 dias no rotativo, e os bancos precisam oferecer um parcelamento para solucionar o débito.

Questionado se o desalinho entre o movimento de redução de custo do cheque especial e o avanço dos juros no cartão, mesmo com a Selic mais baixa da história, é uma decisão dos bancos, Baldini afirmou que o cartão de crédito é um produto mais complexo, e que o cenário não tem relação com a atuação do BC. “(Isso) não tem relação com a política monetária”, disse.

Em paralelo, a taxa de inadimplência para as pessoas físicas, quando considerados os recursos livres – aqueles emprestados pelos bancos sem direcionamento de preço do governo – continua estável com viés de queda. Em dezembro, o percentual ficou em 3,5%.

Na avaliação do diretor da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), Miguel Ribeiro, a distorção que se verifica nas taxas de juros do cartão de crédito estão ligadas à baixa concorrência do sistema financeiro brasileiro.

“Nada explica essas taxas de juros, essa distorção. A questão que fica é essa concentração (bancária). E uma linha de crédito que você não tem muita alternativa, você não pesquisa taxas de juros, você não troca de cartão de crédito toda hora, diferentemente de um empréstimo, que você busca onde está mais barato, ou um financiamento de um veículo. Está lá à disposição o limite, você usa, e as taxas são altas, sempre estiveram altas”, explica.

Novo teto de juros

Em novembro do ano passado, o Banco Central decidiu limitar a taxa mensal de juros do cheque especial a 8%, ante uma média de 12% aplicada pelos bancos nessa linha. A regra começou a valer no dia 6 de janeiro.

O novo limite fará com que a taxa média anual do cheque especial fique, no máximo, em cerca de 150% ao ano, metade da taxa praticada atualmente.

Spread maior

Ainda segundo os dados do BC, o spread bancário – diferença entre o custo de captação do dinheiro pelos bancos e o que efetivamente é cobrado dos clientes – avançou em 2019, mesmo em meio à queda relevante da taxa Selic. Em dezembro de 2018, o spread foi de 17%. Já em dezembro de 2019, esse percentual chegou a 18,4% entre pessoas físicas e empresas, avançando 1,4 ponto percentual.

A variação do mês no entanto, foi para baixo, de 19,3% em novembro para 18,4% em dezembro nas duas categorias.

 

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