Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 16 de agosto de 2018
Três candidatos concentram 90% do R$ 1,3 milhão arrecadado pelos presidenciáveis por meio da modalidade “crowdfunding” nos três meses da pré-campanha, que se encerrou nesta quarta-feira (15). A disputa eleitoral tem início oficialmente nesta quinta (16).
O “crowdfunding” é o nome que se dá ao financiamento coletivo captado por meio da internet, também chamado de “vaquinha virtual”. As contribuições são de pessoas físicas, por meio de sites de empresas autorizadas pela Justiça Eleitoral.
O valor arrecadado até agora é pequeno se comparado com o teto de gastos estabelecido por resolução do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para cada campanha de candidato a presidente da República (R$ 70 milhões). No caso de candidatos que eventualmente tenham o registro negado pela Justiça Eleitoral ou desistam da candidatura após protocolar o pedido, especialistas avaliam que o dinheiro das vaquinhas pode ser repassado para o partido.
Nesta eleição, a principal fonte de financiamento de partidos e os candidatos é o fundo eleitoral de R$ 1,59 bilhão criado com dinheiro do Orçamento da União para ajudar a bancar as campanhas depois que o Supremo Tribunal Federal proibiu, em 2015, as doações eleitorais de empresas.
Até quarta-feira (15) – último dia da pré-campanha –, foi apurado o valor obtido pelos candidatos à Presidência em nove plataformas online homologadas pelo TSE que organizam financiamentos coletivos para os presidenciáveis. As campanhas dos candidatos confirmaram que as vaquinhas relacionadas abaixo são as oficiais:
Apoia (João Amôedo); Confia Brasil (Alvaro Dias); Doação Legal (Alvaro Dias, João Goulart Filho e Vera Lúcia); Essent (Geraldo Alckmin); Fast (Alvaro Dias); Juntos Venceremos (Cabo Daciolo); Tua Ajuda (Ciro Gomes e Geraldo Alckmin); Um a Mais (Lula); Voto Legal (Guilherme Boulos e Marina Silva).
Líder nas pesquisas eleitorais, embora esteja preso em Curitiba, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve sozinho, até agora, 45,9% do total arrecadado pelos presidenciáveis nas vaquinhas online (R$ 593,9 mil).
João Amoêdo (Novo) e Marina Silva (Rede) são o segundo e o terceiro, respectivamente, que mais arrecadaram por meio de “crowdfunding” na fase de pré-campanha.
O empresário que estreia nas urnas neste ano pelo Partido Novo, obteve 27,2% do dinheiro doado por meio das plataformas online (R$ 351,7 mil). Marina Silva (Rede) tem 17% (R$ 220,5 mil).
Jair Bolsonaro (PSL), Henrique Meirelles (MDB) e José Maria Eymael (DC) não registraram vaquinhas oficiais para arrecadar doações pela internet.
O PSL, no entanto, tem uma vaquinha no site Mais que Voto, no qual pede doações para o partido utilizando uma foto de Bolsonaro dizendo que os eleitores que doam para a sigla ajudam “a formar uma estrutura de apoio maior e mais forte” para “fortalecer e estruturar o partido de Jair Bolsonaro”. A legenda arrecadou R$ 321,5 mil no período da pré-campanha.
Um dos coordenadores da campanha de Bolsonaro, o deputado Major Olímpio (PSL) informou que o partido irá destinar o valor arrecadado pela vaquinha do PSL para a campanha presidencial.
Responsável pela comunicação da campanha de Lula, o assessor José Crispiniano afirmou que, na avaliação do PT, o ex-presidente até poderia ter arrecadado mais recursos na plataforma de crowdfunding se o partido não tivesse lançado, simultaneamente, uma outra campanha de arrecadação para financiar o acampamento que reúne apoiadores do petista, em Curitiba. “O ex-presidente [Lula] lidera as pesquisas. A gente considera natural que ele lidere também a arrecadação de campanha”, disse Crispiniano.
Coordenador de mídias digitais da campanha de João Amoêdo, Daniel Guido disse que o Novo tem uma “cultura de engajamento” desde a formação do partido, em 2011. A legenda, que teve o registro aprovado pelo TSE em 2015, trabalha com doações feitas por cidadãos, com uma proposta de atrair pessoas que não participam da política.
Na visão de Guido, esse engajamento ajuda a explicar o fato de Amoêdo ser o segundo candidato que mais arrecadou por meio de financiamento coletivo na fase de pré-campanha.
Reconhecida por sua interatividade com a militância por meio das redes sociais, a ex-ministra Marina Silva convidou para a coordenação de sua vaquinha online profissionais com experiência em plataformas de crowdfunding. Um dos fundadores da consultoria de financiamento coletivo O Bando, Felipe Caruso é um dos responsáveis pela estratégia de arrecadação de Marina pela internet.
Ele afirmou que, para garantir uma campanha eficiente de crowdfunding, é importante o candidato entender, desde o primeiro momento, que é necessário conduzir duas campanhas ao mesmo tempo. “Uma campanha é o ‘vote em mim’. Já a outra é o ‘financie esse sonho'”, ponderou.
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