Terça-feira, 26 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 5 de outubro de 2018
O último debate entre os presidenciáveis antes do primeiro turno das eleições deste ano, promovido pela TV Globo na noite de quinta-feira (04), foi marcado por uma elevação do tom entre os candidatos, com muitos ataques entre os presentes.
O principal alvo foi Jair Bolsonaro (PSL), que não compareceu ao evento por recomendação médica. Ele foi criticado por ter faltado ao debate e ter concedido uma entrevista à TV Record, exibida simultaneamente ao evento.
Participaram do debate Alvaro Dias (Podemos), Ciro Gomes (PDT), Fernando Haddad (PT), Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Boulos (PSOL), Henrique Meirelles (MDB) e Marina Silva (Rede). O mediador foi o jornalista William Bonner.
Blocos
O debate foi dividido em quatro blocos: no primeiro e no terceiro blocos, os candidatos fizeram perguntas com tema livre; no segundo e no quarto blocos, os postulantes fizeram perguntas com temas definidos por sorteio; no quarto bloco, eles apresentaram as considerações finais.
No primeiro bloco, candidatos criticaram a chamada “polarização” entre Bolsonaro e o candidato do PT, Fernando Haddad. No segundo bloco, com temas determinados por sorteio, os candidatos discutiram o custo Brasil, a reforma trabalhista, saúde, infraestrutura, agronegócio, meio ambiente e combate às drogas.
No terceiro e no quarto blocos, as intervenções dos candidatos envolveram críticas à ausência de Bolsonaro e discussão de propostas, entre as quais reforma da Previdência, Bolsa Família, saneamento, educação, impostos e corrupção.
Ausência de Bolsonaro
Para Marina, o capitão da reserva “amarelou”. Para Ciro, ele “fugiu”. Sobraram críticas também às frases controversas dadas por integrantes da equipe do presidenciável do PSL, como o vice general Mourão e o economista Paulo Guedes. “E Bolsonaro nega [as propostas dos aliados] quando vê a repercussão”, observou o pedetista. “O que me assusta não é só a mentira, mas como uma equipe com três briga tanto”, disse Ciro.
O candidato do PDT poupou Haddad, com quem disputa diretamente uma vaga no segundo turno, e centrou a artilharia no postulante do PSL. Em uma questão do petista sobre meio ambiente e agricultura, por exemplo, sem que Haddad tenha citado o capitão da reserva, Ciro respondeu que para executar projetos na área “tem que ter condição política para enfrentar o fascismo e a radicalização estúpida que o Bolsonaro representa”.
Se o ex-ministro não mirou a sua artilharia para Haddad, o mesmo não pode ser dito de Geraldo Alckmin (PSDB) e Alvaro Dias (Podemos), que fizeram críticas ao PT em diversos momentos ao longo do debate. Já na primeira pergunta, Alckmin citou a crise econômica de 2015, durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff, e confrontou o adversário com o “modo petista” de governar, que insinuou ser um misto de desemprego e corrupção.
Alvaro Dias, por sua vez, alfinetou Haddad ao dizer que trazia uma pergunta por escrito para que ele levasse ao “verdadeiro” candidato petista, em referência ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba. Ele também tratou das recentes delações de Antonio Palocci e de Marcos Valério e buscou associar o partido do ex-prefeito aos escândalos relatados.
Diversas vezes, os postulantes apelaram contra o chamado “voto útil” e contra os “radicalismos”, defendendo e se apresentando como alternativas à polarização entre Bolsonaro e Haddad. Guilherme Boulos (PSOL) pediu um voto de “esperança”, depois de um debate com tons críticos ao governo de Michel Temer (MDB) e a Alckmin.
Em um debate que também foi repleto de frases marcantes, Boulos se envolveu em uma discussão com Meirelles, que insinuou que ele não trabalhava, rebatendo com uma crítica ao emedebista pela atuação no setor bancário. Em outro momento, o ex-ministro da Fazenda obteve o único direito de resposta da noite, após Alvaro Dias ter insinuado que ele era “cúmplice” dos escândalos do governo do PT.
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