Terça-feira, 07 de abril de 2026
Por Redação O Sul | 20 de fevereiro de 2022
A explosão de infecções pela variante Ômicron, mais transmissível, faz soar o alerta para um possível aumento de relatos de covid longa – a presença de sintomas como cansaço e dificuldade de concentração após o período de infecção aguda. Ainda há poucos estudos sobre essa condição, mas o tema preocupa médicos, cientistas e a Organização Mundial da Saúde (OMS). Calcula-se que um em cada cinco pacientes de covid-19 podem desenvolver a covid longa. Veja o que se sabe até agora sobre a covid longa.
– O que é a covid longa? A covid longa é descrita pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um conjunto de sintomas que afeta parte das pessoas após a infecção pelo coronavírus. Para diagnosticar que uma pessoa tem a covid longa (ou condição pós-covid), a OMS estipula que os sintomas devem durar três meses após a infecção. Parte dos médicos e pesquisadores, porém, chama de covid longa a presença de sintomas por prazo até menor do que este.
– Quais são os sintomas mais comuns da covid longa? Os sintomas mais comuns são fadiga, dores musculares e sensação de névoa mental, com problemas como dificuldade de concentração e perda de memória. Também são comuns sintomas como dificuldade para respirar e tosse. Há relatos ainda de depressão e ansiedade após a covid-19. Esses sintomas podem aparecer durante a fase aguda da infecção ou após a “cura” da covid-19. Podem ir e vir ou melhorar continuamente ao longo do tempo. Segundo a OMS, a covid longa pode afetar a capacidade de fazer atividades diárias, como trabalhar ou realizar tarefas domésticas.
– A covid longa só afeta quem teve um quadro grave de covid? Não. A covid longa pode ocorrer mesmo em quem teve quadro leve da doença. A OMS estima que entre 10% e 20% dos pacientes com covid-19 desenvolvem sintomas prolongados e afirma que não parece haver relação entre a gravidade inicial da infecção e a probabilidade de desenvolver uma condição pós-covid. Em consultórios médicos ou centros de reabilitação, são comuns relatos de pessoas que se recuperaram bem na fase aguda da doença, não precisaram de internação, mas apresentam cansaço extremo, névoa mental e outros sintomas. Pessoas que foram internadas com quadros graves têm risco maior de desenvolver complicações também mais graves. Nesses casos, parte do problema está na própria internação, que pode causar dificuldades para caminhar ou se alimentar.
– O que fazer se ainda tenho sintomas mesmo depois de me recuperar da covid? Médicos alertam que pessoas com sintomas prolongados devem buscar ajuda profissional e não é necessário esperar meses para isso. Atividades de reabilitação ajudam o corpo a se recuperar mais rapidamente da fadiga e melhoram problemas como a perda de memória e dificuldade de concentração. A reabilitação também evita o agravamento de problemas como ansiedade e depressão. No Hospital Albert Einstein, em São Paulo, por exemplo, a recomendação é de que pessoas que continuam com sintomas 21 dias após a infecção busquem ajuda.
– Há remédios para a covid longa? Não há um tratamento específico para a covid longa e nem sempre a reabilitação será feita com medicamentos. A recuperação vai depender do diagnóstico. Por exemplo, se o cansaço tem origem muscular, a reabilitação pode focar na recuperação gradual da força dos músculos. Já se é por uma questão pulmonar, podem ser realizadas terapias específicas para recuperar completamente a função dos pulmões. Sintomas como perda de memória e dificuldade de concentração são tratados por neuropsicólogos com exercícios que estimulam o cérebro. As possibilidades de reabilitação nesses casos incluem jogos tecnológicos e até realidade virtual.
– É possível prevenir a covid longa? A forma mais eficaz de prevenir a covid longa é prevenir a infecção pela covid. Nesse sentido, a melhor arma à disposição é a vacina. É preciso tomar as três doses do imunizante. Além disso, medidas como uso de máscara e distanciamento devem ser mantidas.
– Quem está infectado com a covid agora pode fazer algo para evitar a covid longa? Não há diretrizes específicas para isso, mas médicos recomendam cuidados básicos, como manter boa alimentação durante a fase aguda da doença, hidratar-se, dormir bem e evitar atividades de alta intensidade. “Quanto antes o corpo combater a infecção, menor o risco de outras complicações”, explica Milene Ferreira, gerente médica dos serviços de reabilitação do Hospital Israelita Albert Einstein. Não há evidências científicas sobre benefícios de tomar vitaminas durante a infecção pela covid-19 para evitar complicações futuras. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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